Memórias Póstumas de Brás Cubas: Relógio, Funeral e Realismo
O que simboliza o relógio na metáfora apresentada por Brás Cubas?
Apuntes
• Subtema: A Metáfora do Relógio O mais singular é que, se o relógio parava, eu dava-lhe corda, para que ele não deixasse de bater nunca, e eu pudesse contar todos os meus instantes perdidos. Invenções há que se transformam ou acabam; as mesmas instituições morrem, mas o relógio é definitivo e perpétuo. O derradeiro homem, ao despedir-se do frio e gasto, há de ter um relógio na algibeira, para saber a hora exata em que morre. Naquela noite, não padeci essa triste sensação de enfado, mas outra, e dela me despedi. As fantasias tumultuavam-me cá dentro, vinham umas sobre outras, à semelhança de devotas que se aboiaram para ver o anjo-cantar das procissões. Não ouvia os instantes perdidos, mas os minutos ganhados. O capítulo apresenta o instante em que Brás Cubas revive a sensação do beijo trocado com Virgília, casada com Lobo Neves. Nesse contexto, a metáfora do relógio desconstrói certos paradigmas românticos, porque: (A) o narrador e Virgília não têm percepção do tempo em seus encontros adúlteros. (B) como “defunto autor”, Brás Cubas reconhece a inutilidade de tentar acompanhar o fluxo do tempo. (C) na contagem das horas, o narrador metaforiza o desejo de triunfar e acumular riqueza...
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