Os humanistas foram os intelectuais do Renascimento1 destacando-se na poe- sia2 na hist3ria4 no teatro5 na s6tira7 na filosofia e na ret8rica. Nestes ramos da produ910o liter11ria12 defenderam a excel13ncia do ser humano14 que consideravam um ser bom15 perfeito e respons16vel. Transmitiram17 portanto18 o ideal do antropo- centrismo19 t20o em voga no Renascimento. O humanista florentino Pico della Mirandola redigiu uma das mais belas p21- ginas sobre a dignidade humana22 ao dizer que o Homem23 sendo o 24nico ser dotado de Raz25o26 tornava-se no 27nico completamente livre28 capaz de construir o seu destino 29Doc. 830. O livre-arb31trio superiorizava o ser humano. 3.2.1 Valoriza3233o da Antiguidade Cl34ssica EXCLUSIVO PROFESSOR Solu3536es 37 Conceito essencial Lembrar38 Os humanistas alimentaram uma paix39o pela Antiguidade Cl40ssica41 ao considera- rem que as suas obras liter42rias continham as verdadeiras sabedoria e beleza 43Doc. 1144. Acreditando que os copistas medievais haviam alterado os textos e o pen- samento dos cl45ssicos46 os humanistas procuraram manuscritos antigos em biblio- tecas e mosteiros. Para os traduzirem47 estudaram o grego 48 esquecido h49 s50culos 51 e aperfei52oaram a l53ngua latina 54Docs. 9 e 1055. Humanistas56 como Lorenzo Valla e Dami57o de G58is59 foram grandes cultores do latim60 no qual se correspondiam. A par da divulga6162o dos cl63ssicos64 os humanistas recuperaram a pureza das Sagradas Escrituras. O dom65nio do grego permitiu-lhes ler o texto original do Novo Testamento e a aprendizagem do hebraico facilitou o conhecimento do Antigo Testamento. Os humanistas mostraram66 assim67 um grande rigor lingu68s- tico e exig69ncia 70tica71 fazendo renascer as letras antigas e a mensagem b72blica. A imprensa e o mecenato 73Doc. 1274 auxiliaram na expans75o da cultura antiga76 permitindo a cria7778o de famosas bibliotecas. O mesmo aconteceu com o en- sino79 destacando-se os col80gios que promoviam o estudo do latim81 do grego82 do hebraico83 da poesia84 do teatro85 da filosofia86 do direito87 da orat88ria e da hist89- ria antigas 90Dossi9192 pp.62-6393. Estas disciplinas94 consideradas imprescind95veis para a forma9697o do ser humano98 eram chamadas de studia humanitatis ou 99humani- dades100101 designa102103o que ainda hoje perdura. A paix104o pela Antiguidade levou os humanistas 105 cria106107o de obras liter108rias109 nas quais imitavam os autores greco-latinos. Em Portugal110 por exemplo111 o poema 112pico Os Lus113adas114 de Lu115s de Cam116es117 louvou os feitos heroicos portu- gueses118 tal como o romano Virg119lio fizera para o seu povo120 quinze s121culos antes122 na Eneida 123Doc. 13124. Cam125es escreveu de forma exemplar em l126ngua portuguesa. Pela Europa fora127 verificou-se a afirma128129o das l130nguas nacionais131 dotadas de regras preci- sas132 uniformidade ortogr133fica e vocabul134rio rico e elegante 135Doc. 14136. Rabelais e Montaigne na Fran137a138 Maquiavel na It139lia140 Cam141es em Portugal142 Cervantes na Espanha143 e Shakespeare na Inglaterra dignificaram as l144nguas e literaturas na- cionais no Renascimento. Orgulhosos do seu valor liter145rio e das inova146147es civilizacionais do seu tempo148 os humanistas demonstraram a chamada consci149ncia da modernidade 150Doc. 15151. Entendiam o estudo dos cl152ssicos n153o como um fim154 mas como um meio formativo de o indiv155duo atingir a excel156ncia humana. EXCLUSIVO PROFESSOR Vocabul157rio Utopia Palavra de origem grega que significa 158em lugar nenhum159. E T H A 1 0 160 P 3 161 P o r t o E d i t o r a 3.2.3 Individualismo162 racionalidade163 esp164rito cr165tico e utopia Essa excel166ncia manifestava-se no uso da Raz167o pelo indiv168duo169 algo que os humanistas muito prezavam e que deveria ser estimulado nos jovens pelos professores. Segundo Montaigne170 o mestre ideal ensinaria o aluno a discernir171 julgar172 duvidar173 inclusive da autoridade dos cl174ssicos 175Dossi176177 pp. 62-63178. Atentos ao mundo e fazendo uso da Raz179o e do esp180rito cr181tico182 os humanistas procuraram torn183-lo melhor e mais perfeito. Condenaram comportamentos indig- nos da Igreja184 dos monarcas e das elites185 como foi o caso de Erasmo de Roterd186o na obra Elogio da Loucura 187Doc. 16188. Conceberam utopias 189Docs. 17 e 18190191 mundos de perfei192193o194 centrados nos valores humanos195 como a Utopia196 de Thomas More. A par do florescimento da produ197198o liter199ria200 proporcionado pelo movimento humanista201 o Renascimento operou uma aut202ntica revolu203204o no campo da arte. A nova est205tica irradiou da It206lia e207 tal como o Humanismo208 apresentou-se marcada pelo classicismo 209Doc. 19210. Se os humanistas procuravam avidamente manuscritos211 os artistas deleitavam-se com as est212tuas e os monumentos des- cobertos pelas escava213214es arqueol215gicas levadas a cabo em Roma. Papas e outros mecenas colecionavam pe216as antigas217 que veneravam como rel218quias 20219. Imitar as formas e as tem220ticas dos cl221ssicos tornou-se corrente entre os artistas renascentistas222 que223 na arte greco-romana224 viam o exemplo da har- monia225 da propor226227o e da suprema beleza. Por228m229 a admira230231o pelos cl232ssicos jamais conduziu a uma imita233234o servil. Assim como os humanistas tiveram consci235ncia dos seus talentos e se revela- ram pessoas cr236ticas e interventivas237 tamb238m os artistas superaram os modelos da Antiguidade. Demonstraram uma not239vel capacidade t240cnica ao utilizarem a perspetiva e ao pintarem a 241leo. Ultrapassaram os cl242ssicos com o natura- lismo na representa243244o de seres humanos245 animais246 paisagens 247Doc. 21248. Pela Europa fora249 ali250s251 produziu-se uma arte rica e inovadora252 resultado253 tantas vezes254 de curiosas s255nteses das influ256ncias cl257ssicas com as tradi258259es nacio- nais260 como foi o caso da arte manuelina em Portugal.Na pintura261 a paix262o pelos cl263ssicos fez-se sentir no gosto pela representa264265o da figura humana266 quer se tratasse de temas profanos 267 retirados da Antigui- dade Cl268ssica e do quotidiano269270 quer de assuntos religiosos271 inspirados na B272- blia 273Doc. 23274. Deste modo275 a pintura refletia a redescoberta do Homem e do in- div276duo277 o que foi uma imagem de marca da cultura antropoc278ntrica do Renascimento. Por279m280 o que mais vinca a pintura renascentista 281 a sua origina- lidade e criatividade282 patentes na cria283284o de um novo espa285o pict286rico. Para ele contribu287ram diversas inova288289es. A pintura a 290leo Esta inven291292o do s293culo XV294 atribu295da ao pintor flamengo Jan van Eyck296 efe- tuava-se sobre madeira ou tela 297Doc. 24298. A pintura a 299leo conheceu grande acei- ta300301o302 pela durabilidade303 possibilidades de retoque e variedade de matizes e grada304305es de cor que permitiam ver pormenores e efeitos de luz e sombra ja- mais conseguidos. A terceira dimens306o A descoberta desta t307cnica308 que teve em Masaccio um precursor309 deveu-se aos estudos matem310ticos sobre a perspetiva dos arquitetos Brunelleschi e Alberti e do pintor Piero della Francesca311 ainda no s312culo XV 313Doc. 25314. Segundo esses estudos315 o campo de vis316o do observador317 tamb318m chamado de pir319mide vi- sual320 321 estruturado por linhas que tendem a unificar-se no horizonte322 conver- gindo para um ponto de fuga. Servindo-se do cruzamento de linhas obl323quas e de horizontais com verticais324 de efeitos de luzes e cores e de aberturas rasga- das nos fundos arquitet325nicos326 os artistas exploraram o campo de vis327o refe- rido328 construindo um espa329o tridimensional330 com profundidade331 relevo e vo- lume 332Doc. 26333. Assim se obteve a chamada perspetiva linear.No s334culo XVI335 Leonardo da Vinci tornou-se num grande te336rico da perspetiva a337rea338 que praticava nos seus quadros. Para o efeito339 utilizava o sfumato340 gra- da341342o ou esbatimento da luz e da cor343 que nos permite ver os objetos locais com maior nitidez344 enquanto os mais afastados se transformam em sombras azuladas 345Doc. 27346. Relacionada com o novo olhar que a Humanidade tinha do mundo347 a pers- petiva representou uma aut348ntica desmontagem do conceito medieval de es- pa349o. Na verdade350 poder-se-351 dizer que o espa352o renascentista se apoiou na observa353354o355 na experi356ncia357 no real358 logo359 na verdade. Tal n360o acontecia nas representa361362es medievais363 onde a disposi364365o e o tamanho dos objetos eram determinados pela hierarquia social e pelo simbolismo religiosos.A geometriza366367o Para a composi368369o das cenas370 os pintores renascentistas adotaram formas geom371tricas372 com prefer373ncia pela piramidal 374Doc. 27C375. Considera-se que pers- petiva e geometria foram os grandes fundamentos da composi376377o art378stica no Renascimento. A propor379380o A procura da propor381382o entre as dimens383es preocupou os pintores renascen- tistas. Se bem que o sentido da ordem e do equil384brio seja um legado da Anti- guidade385 a verdade 386 que s387 no Renascimento o espa388o pict389rico foi cons- tru390do com um rigor matem391tico392 indo-se ao ponto de o projetar a partir de uma medida-padr393o 394m395dulo396397 que servia de refer398ncia para as diferentes dimen- s399es.As representa400401es naturalistas As representa402403es naturalistas enquadram-se no movimento de descoberta da Natureza e de valoriza404405o do real406 numa 407poca em que despontava uma nova conce408409o de Homem. Atento ao espet410culo da Natureza411 o artista esfor- 412ava-se por compreender as leis que a regiam 413Doc. 30414. A sua min415cia e o seu esp416rito anal417tico permitiram-lhe v418rias conquistas pict419ricas. Em primeiro lugar420 a expressividade dos rostos421 aos quais n422o se inibia de apontar imperfei423424es425 e que eram426 frequentemente427 de figuras coevas428 quando n429o autorretratos 430Docs. 32431 33 e 34432. N433o bastou434 por435m436 a veracidade dos tra437os fision438micos. A grandeza dos retratos renascentistas residiu na sua capacidade de exprimir sentimentos e estados de alma 439alegria440 tristeza441 ternura442 e de refle- tir os tra443os da personalidade 444firmeza445 do446ura447 bondade448. Ressalta449 tamb450m451 a espontaneidade dos gestos e a verosimilhan452a das vestes e dos cen453rios 35454455 que eram de casas e paisagens da 456poca457 em lugar dos fundos doura- dos das pinturas g458ticas. Por sua vez459 o corpo 460 de humanos ou animais 461 foi pintado com verdadeiro rigor anat462mico463 que resultou464 muitas vezes465 de pesquisas e disseca466467es em cad468veres 469Docs. 23B e 35470. Quanto 471 variedade de rochas472 plantas473 rios474 lagos475 montanhas e cidades476 foram consequ477ncia de um conhecimento experimental do mundo envolvente478 que permitiu fazer da paisagem um elemento essencial da composi479480o pict481- rica 482Docs. 27C483 32 e 35484. Este foi o naturalismo na pintura485 que tanto revestiu matizes mais terrenos e pr486ximos da realidade487 como deixou transparecer atmosferas ideais de sonho488 mist489rio490 do491ura e serenidade. No Renascimento492 a escultura recuperou a grandeza alcan493ada na Antigui- dade Cl494ssica. Para tal contribu495ram496 sem d497vida498 as campanhas arqueol499gicas levadas a cabo em Roma500 que deram a conhecer muitas das obras-primas da estatu501ria greco-romana 502Docs. 19B e 36503. Nelas se inspiraram os escultores do Renascimento para tra504ar os novos caminhos da sua arte. Por outro lado505 ao deixar de ser uma simples decora506507o de edif508cios509 como acontecia na 510poca medieval 511Doc. 37512513 a escultura ganhou autonomia e naturalidade. O corpo nu readquiriu a dignidade perdida e a est514tua equestre voltou a triunfar na pra515a p516blica 517Docs. 38518 43 e 44B519520 o que n521o acontecia desde a queda de Roma. Os pr522- prios t523mulos tornaram-se em local de exalta524525o dos feitos e da superioridade do Homem 526Doc. 40527. Humanismo e naturalismo s528o529 efetivamente530 as grandes caracter531sticas da escultura do Renascimento. Inspirados na B532blia533 na mitologia ou nos seus con- tempor534neos535 os escultores renascentistas interessaram-se pela figura humana536 pelo indiv537duo dotado de ossos538 m539sculos e personalidade 540Docs. 38541 43 e 44542. Foram excelentes no rigor anat543mico e na express544o fision545mica que produzi- ram nas suas obras. As formas r546gidas da escultura medieval 547Doc. 37548 deram lugar 549 espontaneidade e 550 ondula551552o das linhas. Se a Natureza era fonte de inspira- 553554o555 havia556 com toda a legitimidade557 lugar para as linhas curvas e sinuosas.O equil558brio e a racionalidade marcaram559 de igual forma560 a escultura renascen- tista561 que mostrou uma especial predile562563o pela composi564565o geom566trica567 no- meadamente pela piramidal 568Doc. 44A569. Acrescentamos570 por fim571 o elevado aper- fei572oamento t573cnico de que os escultores do Renascimento mostraram ser capazes. Dominaram com per574cia os materiais utilizados 575 m576rmore577 pedra578 bronze579 madeira ou terracota 580 e criaram novos processos na proje581582o e na execu583584o das suas obras. Salientam-se os estudos de perspetiva585 baseados em rigorosos desenhos pr586vios587 que permitiram a propor588589o e o naturalismo da escultura590 quer nos relevos quer na estatu591ria.3.3.3 A arquitetura Foi na It592lia593 primeiro em Floren594a595 depois em Roma e em Veneza596 entre outras cidades597 que a arquitetura renascentista se afirmou e definiu as suas principais caracter598sticas. Simplifica599600o e racionaliza601602o da estrutura dos edif603cios De costas voltadas para o estilo g604tico e influenciada pela Antiguidade e pelo rom605nico da Tosc606nia 607Docs. 45 e 46608609 a arquitetura procedeu610 antes de mais611 a uma simplifica612613o e racionaliza614615o da estrutura dos edif616cios. Com efeito617 a618 Procurou-se a simetria absoluta619 que o florentino Filippo Brunelleschi 6201377-1466621 considerava ser a respons622vel pela harmonia e pela beleza das constru623624es dos Antigos. Nas fachadas625 por exemplo626 a simetria 627 vis628vel no rigoroso enquadramento que preside 629s portas e janelasAs portas t630m dimens631es pr632ximas umas das outras633 tal como os intervalos entre elas. O mesmo se passa com as janelas. O gosto pela simetria levou o arquiteto Leon Battista Alberti 6341404-1472635 a defender a planta circular ou derivada do c636rculo 637quadrada638 hexagonal639 octogonal640. Entendia-se que o c641rculo era a figura geom642trica mais perfeita e natural643 qual s644mbolo da perfei645646o divina647 sem in648cio e sem fim. Adeptos da planta centrada vieram a ser Bramante 6491444-1514650 e Miguel 651ngelo. b652 Verificou-se uma matematiza653654o655geometriza656657o rigorosa de espa658o arquitet659nico a partir de m660ltiplos de uma medida-padr661o. As rela662663es proporcionais664 estabelecidas entre as v665rias partes do edif666cio 667nave central668 nave lateral669 transepto670 cruzeiro671 capela-mor672 capelas laterais673 estenderam-se674 igualmente675 676s suas medidas principais677 altura678 largura e profundidade 679comprimento680. Se estas coincidissem681 o edif682cio inscrever- -se-ia num cubo. Cubos e paralelep683pedos eram684 ali685s686 as formas ideais para a integra687688o das estruturas arquitet689nicas 690Docs. 49691 50 e 51692. De salientar que a busca das rela693694es proporcionais na constru695696o dos edif697- cios se fez a partir da teoria vitruviana das propor698699es matem700ticas do corpo humano 701Doc. 48A e 48B702. Mais uma vez703 o Homem 704 a medida na arte e705 706 seme- lhan707a do ocorrido na pintura e na escultura708 a arquitetura 709 moldada pela conce710711o antropoc712ntrica. c713 Aplicou-se a perspetiva linear714 segundo a qual os edif715cios ou o espa716o se assemelham a uma pir717mide visual718 em cuja base se encontra o observador e em cujo v719rtice est720 o ponto para onde se deve olhar 721ponto de fuga722 e para o qual convergem as linhas de fuga. Brunelleschi foi o grande teorizador da perspetiva e o seu primeiro praticante no p723rtico do Hospital dos Inocentes724 onde a pir725mide visual nos 726 transmitida por uma sucess727o de cubos espaciais 728Doc. 50B e 50C729. Na Igreja de S730o Louren731o732 a nave central 733 considerada uma 734demonstra735736o convincente da perspetiva737 e as naves laterais refletem a sucess738o de arcos e cubos espaciais atr739s referidos 740Doc. 51741. Tal como na pintura742 tamb743m na arquitetura o espa744o surge concebido em fun745746o do observador747 que ocupa um lugar central na perce748749o da obra. Seja o observador um artista ou um simples leigo750 a verdade 751 que752 de uma posi753754o fixa755 o seu olhar deve abarcar o conjunto para se deter no ponto fulcral que mais n756o 757 do que o ponto de fuga. d758 Retomaram-se as linhas e os 759ngulos retos760 caracter761sticos da est762tica cl763ssica764 tal como o predom765nio da horizontalidade dos edif766cios767 numa clara oposi768769o 770 verticalidade do estilo g771tico. e772 Preferiram-se as ab773badas de ber774o 775Doc. 50 e de arestas776 em vez das de cruzaria ogival777 mais dif778ceis de erguer e visualmente mais complicadas. Casos houve em que se renunciou 779 ab780bada781 substitu782da por uma cobertura plana em madeira que permite paredes de sustenta783784o mais E delgadas. f785 Fez-se da c786pula787 s788mbolo do Cosmos789 um elemento dominante em quase todas as igrejas renascentistas790 tomando como fonte de inspira791792o a grande c793pula do Pante794o de Roma Novas solu795796es foram797 no entanto798 ensaiadas na constru799800o das novas c801pulas802 cabendo a Brunelleschi803 mais uma vez804 um papel precursor ao projetar a primeira c805pula renascentista806 na Catedral de Santa Maria das Flores807 em Floren808a 809Doc. 53810. Embora tenha aproximadamente o mesmo di811metro da do Pante812o813 a verdade 814 que a do templo romano 815 de uma s816 pe817a semiesf818rica e est819 embebida na enorme parede cil820ndrica821 enquanto a de Santa Maria das Flores822 erguida sobre um tambor octogonal823 tem por suporte arcos e pilares824 parecendo suspensa. A inova825826o de Brunelleschi residiu na reparti827828o do peso entre uma c829pula interior830 mais baixa831 e uma c832pula externa833 ficando as duas unidas por nervuras. O impulso para o exterior da primeira equilibra o peso exercido em sentido contr834rio pela segunda c835pula836 permitindo uma constru837838o t839o imponente como esbelta. Pela sua aud840cia841 a c842pula de Santa Maria das Flores imortalizou Brunelleschi843 a quem n844o foram poupados os mais rasgados elogios g845 Utilizou-se846 preferentemente847 o arco de volta perfeita ou arco redondo848 visto a sua forma depender apenas do raio849 facilmente ligado com rela850851es geom852tricas ao resto da constru853854o. Para al855m dos aspetos estruturais856 a influ857ncia da Antiguidade na arquitetura fez-se sentir na ado858859o da gram860tica decorativa greco-romana. Assim861 a862 Empregaram-se as colunas 863base864 fuste e capitel865 e os entablamentos 866arquitrave867 friso868 cornija869 das ordens cl870ssicas871 com prefer872ncia pela cor873ntia e comp874sita 875Docs. 46C876 47877 50878 51879 55 e 57880. b881 Retomaram-se os front882es triangulares883 a coroar fachadas ou simplesmente janelas 884Docs. 47A885 4 c886 Utilizaram-se os medalh887es e os grotescos888 ornamenta889890o parietal inspirada em monumentos da 891poca imperial romana. Aplicava-se sob a forma de frescos ou de baixos-relevos892 tendo como motivos893 formas vegetais894 volutas e carrancas895 associadas a figurinhas humanas e animais 60896. 7B897 47D e 50A898. 899Doc. 50A900 901Doc. Arquitetura civil Para al902m de igrejas903 o Renascimento construiu pal904cios e villae905 habita906907es destinadas ao conforto terreno dos privilegiados. Um dos tipos mais frequentes de pal908cio tem no seu interior um grande p909tio central910 em torno do qual se distribuem os aposentos. Estes comunicam atrav911s de corredores com arcadas apoiadas em colunas912 as c913lebres loggia 914Doc. 57915. Quanto 916s fachadas917 podem apresentar o princ918pio cl919ssico das ordens sobrepostas 920Doc. 56921 ou ser revesti- das de almofadados922 feitos de grossas pedras esquadriadas. A villa era923 por sua vez924 uma casa de campo caracterizada pela simetria das fachadas925 a que n926o faltava um toque de classicismo 927Doc. 58928. Decoradas com magn929ficos frescos930 as villae faziam-se rodear de apraz931veis jardins932 com fontes933 jogos de 934gua e est935- tuas decorativas. Pela Europa fora936 os pal937cios italianos serviram de modelo a reis938 pr939ncipes e elites sociais. Em Fran940a941 por exemplo942 os castelos do vale do Loire943 erguidos nas primeiras d944cadas do s945culo XVI946 testemunham o gosto franc947s pela arte italiana. A racionalidade no urbanismo Um urbanismo regular e racionalizado brotou do g948nio dos artistas e arqui- tetos do Renascimento949 a quem repugnava a desordem e a assimetria da ci- dade medieval. Os seus planos s950o retil951neos e submetidos a regras de higiene952 funcionalidade e beleza. Alberti defendeu ruas amplas953 com edif954cios da mesma altura de ambos os lados 955Doc. 59956. Leonardo da Vinci mostrou-se favor957vel ao levantamento de v958rias pra959as p960blicas961 dotadas de fontes962 concebeu esgotos e desviou carro963as e coches da parte alta das cidades. Por964m965 os projetos urban966sticos dos artistas do Renascimento quase nunca sa967ram do papel. As poucas obras realizadas ficaram pela abertura de ruas novas968 mais largas e retil969neas970 e de pra971as de tra972ado geom973trico. 3.3.4 A arte em Portugal974 o g975tico-manuelino e a afirma976977o das novas tend978ncias renascentistas A for979a art980stica do Renascimento ultrapassou as fronteiras de It981lia. No en- tanto982 e do ponto de vista arquitet983nico984 a Renascen985a cingiu-se986 de in987cio988 a aspetos decorativos aplicados 989 velha arquitetura g990tica. Aconteceu em Fran991a992 nos castelos do Loire 993Doc. 61994. Tamb995m996 na Espanha997 o Renascimento art998stico come999ou por se manifestar numa decora10001001o exuberante1002 conhecida por plateresco1003 na qual a folhagem fantasista1004 os medalh1005es e os arabescos preenchem as superf1006cies arquitet1007nicas1008 lembrando a arte dos ourives que cin- zelam a prata 1009Doc. 621010. A mesma tend1011ncia decorativa verificou-se em Portugal. Entre a 1012ltima d1013- cada do s1014culo XV e o primeiro quartel do s1015culo XVI1016 a arquitetura g1017tica re- novou-se e multiplicou os motivos ornamentais1018 dando origem a um estilo de- nominado Manuelino. O g1019tico-manuelino Desde o s1020culo XIX1021 o Manuelino foi considerado um estilo art1022stico vincada- mente portugu1023s1024 com fortes liga10251026es 1027s Descobertas mar1028timas. Atualmente1029 os especialistas encaram com reservas esta interpreta10301031o nacionalista1032 forjada num contexto de nacionalismo rom1033ntico e de exacerbado patriotismo. Mais do que um estilo original1034 o Manuelino 1035 uma arte heterog1036nea1037 que se manifesta na arquitetura e na decora10381039o arquitet1040nica1041escult1042rico.Com efeito1043 no Manuelino misturam-se os seguintes subestilos e elementos decorativos1044 1045 o g1046tico final1047 o plateresco e o mud1048jar hisp1049nicos1050 1051 o naturalismo 1052troncos1053 ramagens1054 flores1055 conchas1056 algas1057 corais1058 boias1059 cordas10601061 1062 o exotismo das colunas e colunelos torsos ou espiralados1063 1064 a her1065ldica r1066gia de D. Manuel I 1067escudo real1068 esfera armilar1069 cruz da Ordem de Cristo10701071 1072 a simb1073lica crist1074 1075as pr1076prias conchas e instrumentos da Paix1077o de Cristo1078 como o martelo e os pregos1079. Do ponto de vista estrutural1080 o estilo g1081tico foi mantido1082 embora se introduzis- sem algumas altera10831084es. Os arcos quebrados 1085em ogiva1086 deixam de ter a exclu- sividade1087 associando-se a uma profus1088o de arcos 1089 de carena ou conopiais1090 de asa de cesto1091 abatidos1092 tri e polilobados1093 de ferradura1094 redondos. As ab1095badas apresentam redes complexas de nervuras1096 algumas delas cur- vas1097 denominadas 1098combados1099 1100Doc.641101. A ab1102bada rebaixada e 1103nica para as tr1104s naves surge como um avan1105o tecnol1106gico relativamente ao G1107tico1108 es- tando na origem da chamada igreja-sal1109o1110 que se espalhar1111 pelo s1112culo XVI em diante. Jo1113o de Castilho deixou-nos um belo exemplar na igreja do Mos- teiro dos Jer1114nimos 1115Doc. 651116. No que se refere 1117 decora11181119o1120 o Manuelino caracteriza-se pela exuber1121ncia das formas naturalistas1122 em que os motivos marinhos se conjugam com a vege- ta11231124o terrestre. Arcos e pilares interiores1125 janelas1126 arquivoltas de portais e ros1127- ceas s1128o preenchidos de uma forma concentrada e exaustiva que anuncia o futuro 1129horror ao vazio1130 do estilo barroco 1131Docs. 66 e 671132. Embora o Manuelino esteja maioritariamente representado na arquitetura religiosa de Portugal continental1133 ilhas atl1134nticas e1135 at11361137 na 1138ndia1139 n1140o devemos esquecer a arquitetura civil. Quer os pa1141os r1142gios1143 quer os solares nobres apresentam-se como belos exemplares da decora11441145o manuelina. A arquitetura civil manuelina legou-nos1146 ainda1147 fortalezas defensivas e ofensi- vas1148 de que o exemplo mais belo e original 1149 a Torre de Bel1150m1151 com os seus merl1152es1153 balc1154es salientes e c1155pulas de gomos das guaritas1156 associados 1157 em- blem1158tica manuelina 1159Doc. 691160. PROFESSOR 1161 ALUNO EXCLUSIVO PROFESSOR Arquitetos da arte renascentista A arquitetura renascentista A est1162tica cl1163ssica s1164 se manifestou verdadeiramente em Portugal a partir do reinado de D. Jo1165o III. O austero esp1166rito do monarca e a contra11671168o de despe- sas r1169gias levaram ao abandono da exuber1170ncia manuelina1171 substitu1172da pela maior simplicidade das linhas cl1173ssicas. Podem considerar-se manifesta11741175es de Classicismo na arquitetura portu- guesa1176 a simplifica11771178o das nervuras das ab1179badas de cruzaria1180 a utiliza11811182o de ab1183badas de ber1184o redondo e das coberturas planas de madeira1185 a substitui11861187o de contrafortes por pilastras laterais1188 a delimita11891190o das naves por arcadas redondas1191 assentes em colunas toscanas1192 a multiplica11931194o dos front1195es1196 das colunas e dos capit1197is cl1198ssicos1199 assim como dos respetivos entablamentos 1200 a expans1201o do modelo de igreja-sal1202o1203 o aparecimento da planta centrada. Quanto 1204 arquitetura civil1205 destacamos a Casa dos Bicos1206 em Lisboa 7412071208 cujas pedras da fachada s1209o esquadriadas em 1210ponta de diamante1211 como se fazia na It1212lia1213 e o Pal1214cio da Quinta da Bacalhoa1215 em Azeit1216o 1217Doc. 75 que associa elementos mouriscos a uma galeria do tipo da loggia florentina. A escultura A persist1218ncia do G1219tico e a sua renova12201221o decorativa explicam que a escul- tura portuguesa do Renascimento continuasse fortemente ligada ao enquadra- mento arquitet1222nico1223 impedindo-a da emancipa12241225o e monumentalidade verifi- cadas na It1226lia. Todavia1227 entre fins do s1228culo XV e a primeira metade do s1229culo XVI1230 podemos falar num surto escult1231rico1232 seja na decora12331234o de p1235lpitos1236 pias batismais1237 seja na estatu1238ria de t1239mulos1240 portais e altares 1241Docs. 76 e 771242. A artistas nacionais e estrangeiros 1243flamengos1244 franceses1245 espanh1246is1247 mud1248jares1249 deve- mos uma obra multifacetada1250 de crescente capacidade t1251cnica1252 onde o G1253tico1254 o Manuelino e o Classicismo se fundem harmoniosamente. A pintura Entre meados do s1255culo XV e a primeira metade do s1256culo XVI1257 verifica-se uma renova12581259o da pintura portuguesa1260 que se aproxima do Renascimento europeu. A tal facto n1261o foram alheios os contactos culturais1262 patrocinados pela dinastia de Avis1263 com a Flandres1264 a It1265lia e a Alemanha. Artistas estrangeiros visitaram o reino de Portugal ou estabeleceram-se no pa1266s1267 importaram-se t1268buas1269 artistas nacionais1270 por sua vez1271 praticaram nas oficinas dos Pa1272ses Baixos e da It1273lia. De todas estas influ1274ncias a mais marcante foi a do Norte da Europa 1275Doc. 781276. Nuno Gon1277alves e a sua oficina destacaram-se1278 no s1279culo XV1280 pela aplica12811282o dos valores renascentistas na pintura portuguesa. Pintor r1283gio de D. Afonso V1284 a sua atividade estendeu-se ao longo da segunda metade de Quatrocentos. Os Pain1285is de S1286o Vicente 1287Dossi12881289 pp. 103-10512901291 que lhe s1292o atribu1293dos1294 testemunham a abertura da nossa pintura 1295 inova12961297o pict1298rica do tempo.
Qual foi uma das principais contribuições dos humanistas na valorização da Antiguidade Clássica?
Anotacoes
Os humanistas foram os intelectuais do Renascimento, destacando-se na poe- sia, na história, no teatro, na sátira, na filosofia e na retórica. Nestes ramos da produção literária, defenderam a excelência do ser humano, que consideravam um ser bom, perfeito e responsável. Transmitiram, portanto, o ideal do antropo- centrismo, tão em voga no Renascimento. O humanista florentino Pico della Mirandola redigiu uma das mais belas pá- ginas sobre a dignidade humana, ao dizer que o Homem, sendo o único ser dotado de Razão, tornava-se no único completamente livre, capaz de construir o seu destino (Doc. 8). O livre-arbítrio superiorizava o ser humano. 3.2.1 Valorização da Antiguidade Clássica EXCLUSIVO PROFESSOR Soluções * Conceito essencial Lembrar… Os humanistas alimentaram uma paixão pela Antiguidade Clássica, ao considera- rem que as suas obras literárias continham as verdadeiras sabedoria e beleza (Doc. 11). Acreditando que os copistas medievais haviam alterado os textos e o pen- samento dos clássicos, os humanistas procuraram manuscritos antigos em biblio- tecas e mosteiros. Para os traduzirem, estudaram o grego – esquecido há séculos – e aperfeiçoaram a língua latina (Docs. 9 e 10). Hum...
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