Aprendizagem pelas consequencias o controle aversivo Objetivos do capitulo Ao final deste capitulo espera-se que o leitor seja capaz de 1 Definir identificar e prover exemplos de contingencias de reforcamento negativo contingencias de punicao positiva e contingencias de punicao negativa 2 Definir identificar e prover exemplos de controle aversivo do comportamento 3 Definir identificar e prover exemplos de comportamentos de fuga comportamentos de esquiva e contracontrole 4 Descrever e exemplificar os principais efeitos comportamentais do uso do controle aversivo do comportamento 5 Descrever e exemplificar as principais diferencas entre o uso dos procedimentos de punicao extincao e reforcamento diferencial. Como ja sabemos o comportamento operante e aquele que produz modificacoes no ambiente e e afetado por elas. Chamamos tais modificacoes no ambiente de consequencias do comportamento. Ja vimos um tipo dessas consequencias as chamadas consequencias reforcadoras. Os exemplos apresentados ate entao ilustram um subtipo de consequencias reforcadoras denominadas consequencias reforcadoras positivas cujo processo comportamental assim como o procedimento do qual elas fazem parte e denominado reforcamento positivo. O termo reforcamento e utilizado porque a apresentacao dessa consequencia resulta no aumento ou na manutencao da probabilidade de o comportamento reforcado voltar a ocorrer. Ja o termo positivo especifica que a modificacao produzida no ambiente e sempre a adicao de um estimulo como consequencia da resposta. Por exemplo quando o rato pressiona a barra uma gota de agua e adicionada ao seu ambiente quando a crianca pede um doce ela o recebe ela nao tinha o doce agora tem. Ambos os comportamentos pressionar a barra e pedir doce terao sua probabilidade mantida ou aumentada em funcao da adicao de um estimulo ao ambiente do rato e da crianca respectivamente. Da mesma forma nos demais exemplos de reforcamento positivo vistos no Capitulo 3 o organismo comportava-se em funcao do seu comportamento ter produzido a adicao de estimulos reforcadores em seu ambiente. Neste capitulo veremos que existem outros tipos de consequencias do comportamento que tambem aumentam sua frequencia consequencias reforcadoras negativas bem como algumas que diminuem sua frequencia consequencias punitivas positivas e negativas. Ao controle exercido sobre a probabilidade de ocorrencia do comportamento por esses tipos de consequencias damos o nome de controle aversivo.Por que controle aversivo do comportamento Antes de mais nada precisamos esclarecer o que significa em linhas gerais o termo controle para a Analise do Comportamento. Na linguagem cotidiana essa palavra tem diversos significados que sao diferentes do significado tecnico que ela tem para a ciencia da analise comportamental. No linguajar do analista do comportamento o termo controle significa de forma geral que a probabilidade de ocorrencia do comportamento depende das modificacoes que ele causa no ambiente. Se uma determinada consequencia altera a probabilidade de ocorrencia de um comportamento dizemos que ela controla o comportamento que a produz. Como ja visto consequencias reforcadoras positivas aumentam ou mantem a probabilidade de o comportamento ocorrer pela adicao de um estimulo ao ambiente. Nesse sentido dizemos que a consequencia reforcadora positiva controla o comportamento. Por exemplo quando uma adolescente convida uma amiga para ir ao cinema e esta aceita e muito provavel que a jovem volte a convida-la mais vezes no futuro. Nesse sentido dizemos que o aceite do convite e uma consequencia reforcadora positiva ou seja controla o comportamento de convidar tornando-o mais provavel de ocorrer novamente. As consequencias reforcadoras negativas e as consequencias punitivas positivas e negativas tambem sao consequencias do comportamento que exercem controle sobre ele. Elas alteram a probabilidade de ocorrencia do comportamento. Por esse motivo dizemos que esses tres tipos de consequencia do comportamento tambem o controlam. Tradicionalmente em Analise do Comportamento o controle exercido por eles e denominado de controle aversivo do comportamento ou simplesmente controle aversivo. As contingencias de controle aversivo sao corriqueiras frear o carro proximo a um radar cuja consequencia e evitar uma multa de transito manter a frequencia as aulas cuja consequencia e nao ser reprovado por faltas deixar de consumir bebidas alcoolicas em excesso apos esse comportamento ter tido como consequencia ressacas severas parar de emprestar os jogos de videogame para os amigos que nunca devolveram os emprestimos anteriores e assim por diante. Apresentando de forma resumida o controle aversivo diz respeito ao aumento na frequencia do comportamento por reforcamento negativo e a diminuicao na sua frequencia por punicao positiva ou negativa. Vimos no capitulo anterior que estimulos que resultam na manutencao ou no aumento na probabilidade de o comportamento ocorrer novamente sao denominados estimulos reforcadores. Quando eles cumprem sua funcao por sua adicao contingente a ocorrencia de uma resposta sao denominados estimulos reforcadores positivos. Quando a manutencao ou o aumento na probabilidade de emissao de um comportamento resulta da remocao ou da evitacao da apresentacao de um estimulo ao ambiente chamamos esse estimulo consequente de estimulo reforcador negativo. Quando a probabilidade de ocorrencia de um comportamento e reduzida em funcao da adicao de um estimulo ao ambiente como sua consequencia denominamos esse estimulo consequente de estimulo punitivo positivo. Por fim quando a probabilidade de ocorrencia de um comportamento e reduzida em funcao da retirada de um estimulo do ambiente denominamos o estimulo consequente de estimulo punitivo negativo. Os estimulos reforcadores negativos e os estimulos punitivos positivos tambem sao chamados de estimulos aversivos lembrando que estes assim como os demais conceitos abordados ate o momento sao definidos funcionalmente isto e a partir do efeito que produzem sobre o comportamento. Nao existem estimulos eminentemente aversivos ou seja que serao aversivos para todos os organismos ou em todas as situacoes. Por exemplo uma musica sertaneja ou funk carioca podem ser estimulos extremamente aversivos para o comportamento de algumas pessoas mas reforcadores poderosos para o comportamento de outras. Contingencias de reforcamento negativo O reforcamento nao se da apenas pela apresentacao de estimulos como os aplausos para um solo de guitarra e a agua para a resposta de pressao a barra mas tambem por sua retirada. Por exemplo se respostas de pressao a barra forem seguidas da remocao do choque eletrico no piso de uma caixa de Skinner e a sua frequencia for alta quando o choque ocorrer podemos dizer que a suspensao do choque esta reforcando o comportamento de pressionar a barra. Porem o choque reforca esse comportamento por sua remocao e nao por sua apresentacao como ocorre no caso da adicao de agua. O mesmo raciocinio vale para o vizinho que frequentemente liga para o apartamento de cima pedindo para os moradores fazerem menos barulho. Se os vizinhos de cima param de fazer barulho apos a ligacao dizemos que a retirada do barulho reforca o comportamento de ligar e pedir silencio. Nesses exemplos a contingencia e classificada como de reforcamento porque houve um aumento na frequenciaprobabilidade de um comportamento. Tambem e classificada como de reforcamento negativo porque sua consequencia foi a retirada de um estimulo do ambiente. O estimulo retirado do ambiente e chamado de reforcador negativo. No exemplo anterior a retirada do barulho era a consequencia reforcadora negativa o que por sua vez nos permite classificar o barulho como um estimulo reforcador negativo ou um estimulo aversivo. A seguir estao mais alguns exemplos de contingencias de reforcamento negativo 1. Colocar oculos de sol cuja consequencia e a diminuicao da luminosidade na retina e um exemplo de comportamento mantido por reforcamento negativo. A diminuicao da luminosidade e a consequencia reforcadora negativa e a luminosidade em si e o estimulo reforcador negativo estimulo aversivo. A relacao entre a resposta de colocar os oculos e a retirada de luz da retina e chamada de contingencia de reforcamento negativo. 2. Passar protetor solar e evitar queimaduras e um comportamento mantido por reforcamento negativo. As queimaduras se constituem no estimulo reforcador negativo evitado pela resposta de usar protetor solar. A contingencia em vigor e a de reforcamento negativo uma vez que a resposta em questao e reforcada por evitar a apresentacao de um estimulo reforcador negativo. 3. Caso uma garota brigue com seu namorado quando ele fuma e possivel que ele passe a chupar um drops apos fumar um cigarro. Com isso ele evita a briga se sua namorada nao perceber que ele fumou. Nesse caso a briga e um estimulo reforcador negativo evitado pela resposta de chupar um drops. Novamente temos uma contingencia de reforcamento negativo em que a resposta de chupar um drops e reforcada por evitar a apresentacao da briga.E importante notar que em todos os exemplos os comportamentos tiveram sua frequencia aumentada ou mantida. O reforcamento negativo assim como o positivo e uma operacao um procedimento em que a consequencia do comportamento aumenta a probabilidade de ele voltar a ocorrer. A diferenca basica entre o reforcamento positivo e o negativo reside no modo de consequenciar o comportamento no primeiro um estimulo e acrescentado ao ambiente no segundo um estimulo e retirado ou deixa de ser apresentado no ambiente. Por exemplo podemos aumentar a probabilidade de um rato pressionar uma barra utilizando reforcamento positivo ou reforcamento negativo. Veja o exemplo da Tabela 4.1. TABELA 4.1 Reforcamento positivo versus reforcamento negativo Reforcamento positivo Situacao Reforcamento negativo Animal na caixa de Skinner privado de agua Animal na caixa de Skinner recebendo choque eletrico Comportamento Consequencia Modo de operacao Classificacao do estimulo Efeito sobre o comportamento Pressionar a barra Apresentacao de agua Pressionar a barra Retirada do choque Adicionar estimulo agua ao ambiente Estimulo reforcador positivo SR Aumenta a probabilidade de ocorrencia Notacao representacao da contingencia R SR Retirar estimulo choque eletrico do ambiente Estimulo reforcador negativo SR- Aumenta a probabilidade de ocorrencia R SRO estudo do reforcamento negativo e de fundamental importancia para a compreensao do comportamento humano. Essa importancia se deve ao fato de que varios de nossos comportamentos cotidianos produzem a supressao o adiamento ou o cancelamento de estimulos aversivos do ambiente e nao a apresentacao de estimulos reforcadores positivos. Esses tipos de consequencias interferem por exemplo no modo como dirigimos mantemos a velocidade permitida na via cuja consequencia e evitar multas na precisao de nossos relatos verbais evitamos magoar alguma pessoa contando pequenas mentiras acerca do que pensamos dela nas justificativas que damos as nossas acoes evitamos repreensoes ao convencermos os outros acerca de por que agimos de determinada maneira no modo que vivemos nossas relacoes amorosas evitamos uma discussao da relacao quando evitamos olhar para a pessoa atraente que passa ao lado entre outros. Alem disso grupos sociais formalizam contingencias de reforcamento negativo em leis normas estatutos regulamentos codigos de etica entre outros como forma de controlar o comportamento de seus membros. Comportamento de fuga e comportamento de esquiva Via de regra dois tipos gerais de comportamento operante sao mantidos por contingencias de reforcamento negativo comportamento de fuga e comportamento de esquiva. Consideramos que um comportamento e uma fuga no momento em que determinado estimulo aversivo esta presente no ambiente e esse comportamento o retira do ambiente como no caso de um adolescente usar um creme para secar uma acne que ja esta em seu rosto. Nesse caso a resposta de usar o creme e uma fuga mantida pela retirada da espinha que e um estimulo aversivo ja presente. Ja a esquiva e um comportamento que evita ou atrasa o contato com um estimulo aversivo isto e ocorre quando um determinado estimulo aversivo nao esta presente no ambiente. Porem a resposta de esquiva acontece diante de outros estimulos que sinalizam a apresentacao eminente dos estimulos aversivos. Emitir o comportamento de esquiva evita ou atrasa a apresentacao do estimulo aversivo. Por exemplo o adolescente que costuma ter espinhas faz uma dieta menos calorica ou passa um creme que reduz a oleosidade da pele e assim evita que elas aparecam. Nesse caso as espinhas ainda nao estao presentes e os comportamentos de fazer dieta ou passar o creme evitarao a apresentacao do estimulo aversivo constituindo-se em comportamentos de esquiva. A seguir estao mais alguns exemplos de comportamentos de fuga e de esquiva. 1. Arrumar o quarto a. Fuga Arrumar o quarto quando a mae comeca a brigar porque o quarto esta baguncado tendo como consequencia a mae parar de brigar. b. Esquiva Arrumar o quarto logo quando acorda evitando as reclamacoes da mae. 2. Mentir que o celular estava no silencioso a. Fuga Apos passar uma noitada com as amigas e nao ter atendido os telefonemas do namorado uma jovem se encontra no meio de uma grande discussao com ele. Ela pode conseguir parar a briga dizendo que havia se esquecido de tirar o celular do silencioso apos sua aula na faculdade de modo que nao ouviu as ligacoes. b. Esquiva No futuro em uma situacao similar ela ja pode enviar antecipadamente uma mensagem para o namorado avisando que nao atendeu as suas ligacoes porque o seu celular estava no silencioso. Desse modo pode conseguir evitar a discussao antes que comece. 3. Sair de perto de uma pessoa chataa. Fuga Alguem esta lhe contando uma historia muito chata e voce diz Amigo me desculpe mas estou atrasado para um compromisso tenho que ir.... Sair de perto do chato e um exemplo de fuga. b. Esquiva Se voce desconversa e sai de perto do sujeito antes de ele comecar a contar historias chatas voce esta se esquivando. Cotidianamente esses dois tipos de comportamento sao diferenciados da seguinte forma a esquiva e tida como uma especie de prevencao e a fuga como uma especie de remediacao. Ou seja na esquiva prevenimos a apresentacao de um estimulo aversivo enquanto na fuga remediamos a situacao de forma que o estimulo aversivo ja presente seja suprimido. E importante notar que os comportamentos de fuga e de esquiva so sao estabelecidos e mantidos em contingencias de reforcamento negativo. Logo nao observaremos fuga e esquiva em contingencias de reforcamento positivo e de punicao. Certos estimulos por terem precedido a apresentacao de estimulos aversivos no passado tornam a resposta de esquiva mais provavel. Como o sol forte precedeu as queimaduras no passado este se torna um estimulo que aumenta a probabilidade da emissao de um comportamento que as previne no caso a ocorrencia da resposta de passar protetor solar. Todavia e importante notar que o sol so adquiriu tal funcao comportamental por ter precedido queimaduras no passado. Ou seja tivemos que fugir das queimaduras no passado para aprender a funcao aversiva do sol e so assim somos conduzidos a emitir uma resposta que evite as queimaduras. Para alguns autores nao existem comportamentos de esquiva apenas de fuga uma vez que a esquiva pode ser interpretada como uma fuga dos estimulos que sinalizam a apresentacao de outros estimulos aversivos. No nosso exemplo o sol sinaliza as queimaduras que sao os estimulos aversivos. Chamamos sol forte portanto de estimulo pre-aversivo pois sinaliza a probabilidade de apresentacao de outro estimulo aversivo as queimaduras. Um experimento simples com um rato albino exemplifica bem a distincao entre o comportamento de fuga e o de esquiva. O animal esta em uma caixa de condicionamento operante dividida em dois compartimentos na qual a apresentacao de um choque eletrico pode ser feita eletrificando-se o piso. Um timer temporizador controla a apresentacao da corrente eletrica. A cada 30 segundos ele ativa o choque que so e retirado desligado se o rato mudar de um compartimento para o outro. Rapidamente o animal aprende o comportamento de fuga Fig. 4.1 ou seja assim que o choque e ativado o rato muda de compartimento. Podemos ainda programar para que a mudanca de um compartimento para o outro zere o contador ou seja se o animal mudar de compartimento antes que se passem os 30 segundos o contador do timer e reiniciado e comeca um novo intervalo de 30 segundos ate que o choque seja apresentado. Nesse caso Fig. 4.2 se o rato mudar de lado um pouco antes da apresentacao do choque ele evita que o choque seja apresentado. Falamos entao em um comportamento de esquiva. Figura 4.1 Comportamento de fuga. Quando o piso do compartimento no qual o animal se encontra e eletrificado de acordo com o timer 1 o rato passa para o outro compartimento da caixa no qual o piso nao esta eletrificado 2. O rabo levantado na Fotografia 1 indica que o piso da caixa esta eletrificado.Figura 4.2 Comportamento de esquiva. O rato aprendeu depois de algumas fugas que se passar de um compartimento para o outro antes de 30 segundos evita o choque. Em resumo denominamos comportamento de fuga aquele que ocorre no momento em que um estimulo aversivo esta presente no ambiente e cuja consequencia seja a retirada desse estimulo. Chamamos de comportamento de esquiva aquele que ocorre no momento em que um estimulo aversivo nao esta presente no ambiente e cuja consequencia seja o adiamento ou o cancelamento do contato com tal estimulo. Para nao esquecermos tanto o reforcamento positivo como o negativo aumentam a probabilidade de o comportamento voltar a ocorrer a diferenca esta apenas no fato de a consequencia ser a adicao ou a retiradaevitacao de um estimulo do ambiente Reforcamento positivo aumenta a probabilidade de o comportamento voltar a ocorrer pela adicao de um estimulo reforcador ao ambiente. Reforcamento negativo aumenta a probabilidade de o comportamento voltar a ocorrer pela retirada de um estimulo aversivo do ambiente. Punicao Algumas consequencias do comportamento tornam sua ocorrencia menos provavel. Essas consequencias sao chamadas de punicao positiva e negativa. Punicao em outras palavras e um tipo de consequencia do comportamento que torna a sua ocorrencia menos provavel. A distincao entre punicao positiva e negativa consiste na mesma distincao feita com relacao ao reforcamento positivo e negativo se um estimulo e acrescentado ou subtraido do ambiente. Tanto a punicao positiva quanto a negativa diminuem a probabilidade de o comportamento que as produziu voltar a ocorrer. O termo punicao pode ser definido funcionalmente como a consequencia que reduz a frequencia do comportamento que a produz. Por exemplo se ingerirmos diferentes bebidas alcoolicas e tivermos ressaca no dia seguinte esse comportamento sera menos provavel no futuro. Dizemos portanto que tal comportamento foi punido pela ressaca do dia seguinte. Outra vez o termo punicao refere-se a uma relacao de contingencia entre um comportamento e uma consequencia so que nesse caso o efeito da consequencia e a reducao da frequencia ou da probabilidade de ocorrencia desse comportamento no futuro. O estimulo que for consequencia dessa resposta e denominado de estimulo punidor ou estimulo punitivo o qual nesse exemplo foi a ressaca. E fundamental chamar atencao para o fato de que a punicao e definida funcionalmente ou seja para dizermos que houve uma punicao e necessario que se observe uma diminuicao na frequencia do comportamento. Por isso nao existe um estimulo que seja punitivo por natureza. So podemos dizer que um estimulo e punitivo caso sua apresentacao ou remocao reduza a frequencia do comportamento ao qual e consequente. E possivel pensar por exemplo que levar uma bronca da professora em sala de aula seja punitivo para comportamentos de fazer bagunca de todas as criancas. No entanto pesquisas tem mostrado que a bronca da professora pode nao ter efeito punitivo ou pode ate mesmo funcionar como estimulo reforcador para o comportamento de fazer bagunca de algumas criancas em sala de aula. Punicao positiva e punicao negativaDe forma similar as consequencias reforcadoras existem dois tipos de consequencias punitivas a positiva e a negativa. A punicao positiva e uma consequencia que consiste na apresentacao de um estimulo que reduz a probabilidade de ocorrencia futura do comportamento que a produziu. Por exemplo uma pessoa alergica a camarao passa mal ao come-lo. A partir dessa reacao nao come mais camarao. No caso o comportamento de comer camarao produziu a apresentacao de sintomas aversivos como dificuldade para respirar manchas vermelhas na pele coceira etc. Como houve uma diminuicao na frequencia desse comportamento afirmamos que ele foi positivamente punido. A punicao negativa por sua vez e uma consequencia que consiste na retirada ou perda de reforcadores de outros comportamentos. Essa consequencia tornara o comportamento que a produziu menos provavel no futuro. Por exemplo uma pessoa que acessa sites nao confiaveis na internet pode danificar seu computador de forma que ele deixe de funcionar. Assim ela deixa de acessar esses sites. Nesse caso a consequencia do comportamento de acessar sites nao seguros foi a perda dos reforcadores disponibilizados pelo computador funcionando. Como houve uma diminuicao na frequencia do comportamento de acessar sites perigosos pela retirada dos reforcadores associados ao computador funcionando concluimos que houve uma punicao negativa. Alguns videogames bloqueiam certas funcoes do aparelho como o acesso a internet pelo console por exemplo como consequencia do uso de jogos piratas pelo usuario. Caso uma pessoa deixe de usar jogos piratas no seu videogame devido ao bloqueio que o seu aparelho sofreu dizemos que a perda do acesso as funcoes bloqueadas foi uma punicao negativa. E importante enfatizar que a punicao seja positiva seja negativa resulta por definicao na reducao da frequencia ou da probabilidade do comportamento. Os termos positivo e negativo indicam apenas apresentacao ou retirada de estimulos respectivamente. Em Analise do Comportamento positivo nao e bom e negativo nao e ruim simplesmente positivo e apresentacao e negativo e retirada Punicao positiva diminui a probabilidade de o comportamento ocorrer novamente pela consequente adicao de um estimulo aversivo ao ambiente. Punicao negativa diminui a probabilidade de o comportamento ocorrer novamente pela consequente retirada de um estimulo reforcador de outros comportamentos do ambiente. Exemplos de punicao positiva Um rato que tem o comportamento de pressionar a barra mantido pela liberacao de agua passa a receber alem da agua um choque quando emite esse comportamento. Em decorrencia do choque contingente ao comportamento de pressao a barra este deixa de ocorrer. Levar uma surra ao jogar bola dentro de casa e em decorrencia disso nao jogar mais nesse local. Ultrapassar o sinal vermelho ser multado e nao infringir mais essa regra. Dizer palavras de baixo calao receber uma bronca e diminuir bastante a frequencia desse comportamento. Exemplos de punicao negativa Perder a mesada por fazer traquinagens e diminuir bastante a frequencia desse comportamento. Cometer um assalto ser preso perder a liberdade e nao cometer mais crimes. Nao receber beijos da namorada por fumar e diminuir bastante o numero de cigarros consumidos por dia. Dirigir apos ter consumido alcool perder a carteira de motorista e nao mais dirigir nessas condicoes quando recuperar a carteira. Suspensao da contingencia punitiva recuperacao da resposta A punicao pode eliminar comportamentos inadequados ameacadores ou por outro lado indesejaveis de um dado repertorio com base no principio de que quem e punido apresenta menor possibilidade de repetir seu comportamento. Infelizmente o problema nao e tao simples como parece. A recompensa reforco e a punicao nao diferem unicamente com relacao aos efeitos que produzem. Uma crianca castigada de modo severo por brincadeiras sexuais nao ficara necessariamente desestimulada a continuar da mesma forma que um homem preso por assalto violento nao tera necessariamente diminuida sua tendencia a violencia. Comportamentos sujeitos a punicoes tendem a se repetir assim que as contingencias punitivas forem removidas. Skinner 1983 p. 50 Esse trecho escrito por Skinner aponta para alguns problemas relativos ao uso da punicao como forma de controle do comportamento os quais discutiremos a seguir. Um comportamento que vinha sendo punido pode deixar de ser punido na atualidade e talvez tenha sua frequencia restabelecida. Por exemplo uma jovem que namora um rapaz que implica com suas minissaias pode parar de usa-las. Assim o comportamento de usar minissaia e positivamente punido pelas discussoes com o namorado. Caso ela troque esse namorado por outro menos machista e ciumento que nao implique com suas roupas seu comportamento de usar minissaia talvez volte a ocorrer. Nesse caso tera havido uma suspensao da contingencia de punicao. Ou seja o comportamento de usar minissaia produzia discussoes e agora nao produz mais. Consideramos que nesse caso ocorre uma recuperacao da resposta. Skinner 1938 tem um estudo classico sobre a suspensao da contingencia de punicao no qual dois grupos de ratos tiveram o comportamento de pressionar a barra modelado e mantido pela liberacao de alimento. O grupo experimental passou a receber um choque toda vez que pressionava a barra. Esse procedimento fez os animais rapidamente cessarem tal comportamento. Ja o grupocontrole que nao recebeu choques continuou pressionando a barra mantendo uma taxa constante de emissao dessa resposta. Entao o choque foi desligado para o grupo experimental i.e. houve a suspensao da contingencia de punicao e observou-se umaumento na frequencia de respostas de pressao a barra. Desse modo a quebra da contingencia de punicao produziu um restabelecimento na forca do responder o que conhecemos por processo de recuperacao da resposta. A Figura 4.3 no quadro inferior apresenta graficamente esse processo com dados hipoteticos. No quadro superior e apresentado o processo analogo de reforcamento e extincao. Figura 4.3 Suspensao da contingencia. Quando ha quebra da contingencia a frequencia do comportamento retorna ao seu nivel operante frequencia de respostas obtida na condicao de linha de base. Fonte Adaptada de Catania 1999 Figura 6.1 p. 110. Um ponto importante a ser considerado e a fim de que o comportamento volte a ocorrer com a quebra da contingencia de punicao o reforcamento deve ser mantido e obviamente o organismo deve ser exposto outra vez a contingencia. Em outras palavras se as respostas de pressao a barra dos animais do grupo experimental no estudo de Skinner deixassem de produzir alimento e alem disso nao ocorressem pelo menos uma vez apos a suspensao da punicao esse comportamento nao teria a sua frequencia restabelecida. Esse aspecto do comportamento e fundamental por exemplo para a pratica clinica em psicologia. Muitas vezes o psicologo clinico se depara com clientes que tiveram certos comportamentos punidos no passado os quais nao voltam a ser emitidos mesmo com a ausencia da punicao na atualidade. Dessa forma as novas contingencias de reforcamento em vigor nao tem como operar sobre o seu comportamento outrora punido. Um dos objetivos terapeuticos e portanto criar condicoes para que o cliente se exponha novamente as contingencias. Por exemplo um rapaz que um dia fez uma apresentacao oral no seu colegio e foi nao so criticado por um professor rigoroso mas tambem ridicularizado pelos colegas pode evitar falar em publico no futuro. Talvez caso viesse a fazer uma nova apresentacao oral em sua faculdade diante de outros colegas e de outro professor o seu comportamento de apresentar nao seria punido. Entretanto a probabilidade de ele se expor a essa situacao novamente e baixa em funcao dos efeitos da punicao em seu passado. Para que as novas contingencias de reforcamento providas pelo novo professor e pelos novos colegas passem a vigorar sobre o seu comportamento de apresentar trabalhos e fundamental que ele emita esse comportamento novamente.Punicao versus extincao Um ponto que gera muita confusao entre estudantes de Analise do Comportamento e a distincao entre extincao e punicao negativa. Os dois casos sao similares porque em ambos nao se tem acesso a reforcadores outrora disponiveis. Entretanto na extincao um comportamento produzia uma consequencia reforcadora e por algum motivo esta deixa de ocorrer o que e diferente da punicao negativa. Por exemplo o comportamento de telefonar para a namorada era reforcado por sua voz do outro lado da linha quando ela o atendia. Caso o namoro acabe e a ex-namorada se recuse a atender aos telefonemas o comportamento de telefonar estara em extincao. Ou seja nao produz mais a consequencia reforcadora que produzia. Ja na punicao negativa um comportamento passa a ter uma nova consequencia que e a perda de potenciais reforcadores de outros comportamentos. Porem a contingencia de reforcamento que mantem esse comportamento permanece intacta. Retomando nosso exemplo digamos que esse namorado era infiel e que algumas de suas traicoes foram descobertas pela namorada ocasionando o fim da relacao. Se em namoros futuros esse rapaz deixar de trair teremos um exemplo de punicao negativa pois o comportamento de ser infiel foi punido pela perda dos reforcadores associados ao namoro. Essa consequencia reduziu a frequencia do comportamento de ser infiel. Note que as consequencias que mantinham o comportamento de ser infiel permaneceram intactas como por exemplo o reforcamento social advindo de seus amigos quando ele relatava os casos de traicao. Se o rapaz emitir novamente comportamentos de infidelidade seus amigos ainda reforcarao o seu comportamento. Portanto nao podemos falar em extincao nesse exemplo. O que houve foi a apresentacao de uma nova consequencia a retirada dos reforcadores contingentes a outros comportamentos relacionados ao namoro. Outra diferenca entre punicao e extincao refere-se ao processo a punicao suprime rapidamente a resposta enquanto a extincao produz uma diminuicao gradual na frequencia de ocorrencia da resposta. Imagine um rato em um esquema de reforcamento continuo CRF. Nesse caso o comportamento de pressionar a barra produz uma consequencia reforcadora a apresentacao da agua toda vez que e emitido. Como ja se sabe se desligassemos o bebedouro o comportamento de pressionar a barra nao mais produziria a consequencia reforcadora. Falamos portanto de extincao ou seja houve a suspensao da consequencia reforcadora a qual teria como efeito final no comportamento a reducao de sua frequencia de ocorrencia. Imagine agora que nao temos condicoes de desligar o bebedouro mas temos que fazer o rato parar de pressionar a barra. Como poderiamos conseguir isso Voce acertou poderiamos usar a punicao. E possivel nesse caso dar um choque no rato toda vez que ele pressionar a barra. Se assim o fizessemos a frequencia do comportamento de pressao a barra reduziria mesmo com a contingencia de reforcamento em vigor. Note que no segundo exemplo nao suspendemos a consequencia reforcadora ou seja em momento algum a agua deixou de ser apresentada quando o rato pressionava a barra. A punicao nesse exemplo e a apresentacao do choque. Ao aludirmos a punicao nao nos referimos a suspensao da consequencia que reforca o comportamento mas sim a outra consequencia que diminui a probabilidade de sua ocorrencia Fig. 4.4. Figura 4.4 Na extincao o reforcamento nao e mais apresentado. Ja na punicao o reforcamento continua sendo apresentado mas junto a ele apresenta-se o estimulo punitivo ou aversivo. Imagine agora o seguinte exemplo quando Joaozinho fala palavroes seus colegas riem bastante com ele. A risada de seus amigos e uma consequencia reforcadora para seu comportamento de falar palavroes. A mae de Joaozinho quer que ele pare com isso para tanto ela retira sua mesada e em funcao dessa consequencia ele para de falar palavroes. Nesse caso a mae de Joaozinho puniu o comportamento ou o colocou em extincao Para responder a essa pergunta devemos fazer a seguinte analise A frequencia do comportamento aumentou ou diminuiuEla diminuiu. Portanto a retirada da mesada nao pode ser uma consequencia reforcadora. Se a frequencia diminuiu so pode ser o caso de uma extincao ou punicao. A consequencia reforcadora risada dos colegas foi retirada Nao por isso nao se trata de extincao ja que nao houve a suspensao da consequencia reforcadora que mantinha o comportamento. Se a frequencia do comportamento diminuiu e a consequencia reforcadora nao foi retirada estamos falando em punicao. A punicao nesse exemplo foi a retirada ou a adicao de um estimulo A consequencia foi a perda da mesada retirada de um estimulo. Portanto trata-se de punicao negativa. No exemplo anterior para que a frequencia do comportamento de dizer palavroes diminuisse utilizando-se de extincao o que deveria ser feito Retirar ou suspender a consequencia reforcadora que no caso sao as risadas dos amigos de Joaozinho ou seja a mae de Joaozinho poderia falar com os amigos dele para nao rirem mais quando seu filho dissesse palavras de baixo nivel. Caso os amigos de Joaozinho cooperassem com a sua mae e suspendessem as risadas diante dos palavroes teriamos um exemplo de extincao. Efeitos colaterais do controle aversivo O controle aversivo de acordo com o que vimos e uma forma de aumentar ou de diminuir a probabilidade de ocorrencia do comportamento. Punir comportamentos socialmente indesejaveis e muito mais facil e tem efeitos mais imediatos do que reforcar positivamente comportamentos socialmente desejaveis. Entretanto o controle aversivo apresenta uma serie de efeitos colaterais que tornam seu uso desaconselhado por varios autores comportamentais como por exemplo Sidman 19891995. Eliciacao de respostas emocionais. No momento em que os organismos entram em contato com estimulos aversivos e possivel que haja a eliciacao de varias respostas emocionais como tremores taquicardia palpitacoes choro etc. A eliciacao de respostas emocionais pode representar um problema quando se utiliza um procedimento para alterar a probabilidade de ocorrencia de um comportamento. Um primeiro problema ocorre quando o administrador da punicao observa as respostas emocionais do organismo cujo comportamento foi punido as quais podem eliciarevocar outras respostas emocionais no individuo que pune. Essas respostas emocionais p. ex. chorar costumam representar parte daquilo que chamamos cotidianamente de sentimentos de pena ou de culpa. Algumas delas podem exercer funcao de estimulo para outro comportamento do proprio organismo. Nesse caso as respostas emocionais que comumente caracterizam aquilo que cotidianamente chamamos de sentimento de culpa ou de pena podem exercer funcao de estimulos aversivos para o individuo que pune. Este pode passar a liberar reforcadores positivos para o comportamento do individuo que teve o seu comportamento punido o qual provavelmente deixara de chorar por exemplo. Com a retirada do choro as respostas emocionais aversivas deixarao de ocorrer e isso reforcara negativamente o comportamento de liberar reforcadores positivos para o comportamento do individuo que recebeu a punicao. Um exemplo bem comum das relacoes de controle descritas no paragrafo anterior ocorre quando uma crianca faz birra na rua para ganhar um pirulito. Seus pais podem lhe dar uma palmada punindo o comportamento de fazer birra. Ao receber a palmada a crianca comeca a chorar e seu choro eliciaevoca respostas emocionais aversivas nos cuidadores as quais costumamos chamar de pena ou culpa. Na presenca do choro os pais podem por exemplo dar o pirulito a crianca ou pega-la carinhosamente no colo. Ambas as acoes podem fazer o choro cessar. A retirada do choro do ambiente pode funcionar como estimulo reforcador negativo para o comportamento dos pais de modo que este se torne mais provavel no futuro. Essa forma de interacao pode ser problematica por duas razoes principais 1 os pais ensinam a relacao entre o comportamento de chorar e ganhar o que se quer aumentando a probabilidade de o choro ocorrer no futuro de fato o choro deixa de ser exclusivamente um comportamento respondente sendo controlado principalmente por suas consequencias isto e torna-se primordialmente um comportamento operante e 2 a consequencia punitiva no caso a palmada precedera a apresentacao da consequencia reforcadora ou seja a obtencao do pirulito. Assim os organismos p. ex. as criancas podem aprender a emitir respostas que levem a liberacao de um estimulo punitivo p. ex. uma palmada pois tal consequencia pode adquirir funcoes reforcadoras condicionadas. Em outras palavras uma palmada pode deixar de exercer uma funcao punitiva e passar a ter uma funcao reforcadora ao preceder a apresentacao de estimulos reforcadores. Holz e Azrin 1961 realizaram um experimento que ilustra as relacoes complexas recem-discutidas. Em seu estudo pombos tinham o comportamento de bicar um disco de respostas mantido por comida. Na condicao seguinte esse mesmo comportamento tambem passou a ser consequenciado com a liberacao de um choque moderado o que resultou em uma diminuicao de cerca de 50 na taxa de respostas. Em uma terceira condicao foram alternados periodos em que bicadas no disco de respostas produziam choque moderado e outros em que elas nao produziam. A comida somente era liberada nos periodos em que o choque tambem era apresentado como consequencia do comportamento de bicar o disco de respostas. Os periodos de presenca e ausencia de choque nao eram sinalizados por outros estimulos como uma luz ou um som. A despeito disso a taxa de respostas de bicadas nos periodos em que o choque estava presente foi muito maior do que na ausencia dele conforme ilustrado pela Figura 4.5. Os autores concluiram que o choque ou um estimulo presumivelmente punitivo pode ter a funcao de sinalizar que uma dada resposta sera reforcada adquirindo como sera visto no proximo capitulo funcoes discriminativas sobre o comportamento operante. Poderiamos pressupor que se inserissemos um segundo disco de respostas na caixa de condicionamento operante e tornassemos o inicio dos periodos de choque consequente as bicadas nesse disco seria possivel modelar o comportamento de bica-lo. Em outras palavras o choque teria funcoes reforcadoras sobre outro comportamento que o produzisse.Figura 4.5 Frequencia acumulada de respostas de bicar o disco de um dos pombos utilizados na pesquisa de Holz e Azrin 1961. Cada grafico da figura A B e C mostra os resultados de uma condicao experimental. Fonte Adaptada de Holz e Azrin 1961 p. 226 Figura 1. O estudo de Carvalho 1981 realizado com ratos investigou essa possibilidade. Em seu experimento o comportamento de pressionar a barra era mantido pela liberacao de agua a qual somente era produzida pelas respostas de pressao a barra na presenca de um leve choque. Quando o choque nao estava presente as respostas de pressao a barra nao eram reforcadas. Carvalho incluiu um trapezio na caixa de condicionamento operante cuja pressao tinha como consequencia a producao do choque. A apresentacao do choque que sinalizava a disponibilidade da agua para as respostas de pressao a barra foi utilizada como estimulo reforcador condicionado para modelar e manter o comportamento de pressionar o trapezio. Ou seja o choque adquiriu funcoes reforcadoras condicionadas sobre o comportamento de pressionar o trapezio. Estimulos reforcadores condicionados sao aqueles cuja funcao reforcadora e adquirida apos uma historia de aprendizagem. Esses dois experimentos ilustram que estimulos aversivos quando precedem reforcadores podem tanto sinalizar a disponibilidade destes como consequencias ao comportamento do organismo quanto fortalecer a ocorrencia de outros comportamentos que produzam os estimulos previamente aversivos. Em outras palavras estimulos aversivos podem adquirir funcoes reforcadoras condicionadas a depender do arranjo temporal das contingencias de reforcamento e punicao o que exige muito cuidado de quem utiliza procedimentos punitivos como forma de intervencao sobre a frequencia de um dado comportamento. Existe ainda outro problema relacionado a eliciacao de respostas emocionais decorrentes de controle aversivo a possibilidade de ocorrencia de um condicionamento respondente entre outros estimulos presentes no momento em que o estimulo aversivo e apresentado e o proprio estimulo aversivo. Por exemplo quem pune ou reforca negativamente em excesso podera adquirir a funcao de estimulo condicionado que eliciara respostas emocionais similares aquelas eliciadas pelos estimulos aversivos envolvidos. Tratase do exemplo tipico da crianca que teme o pai severo. Seu filho o teme uma vez que a sua presenca eliciara respostas emocionais que exercem a funcao de estimulo aversivo. De forma similar uma garota que controla o comportamento do namorado com chantagens emocionais isto e usa de reforcamento negativo e de punicao pode adquirir a funcao de estimulo aversivo condicionado. O namorado podera passar a se sentir desconfortavel na presenca da moca pois ela adquiriu a funcao de estimulo condicionado que elicia respostas emocionais similares as eliciadas por suas chantagens emocionais. Outra implicacao do uso do controle aversivo e da sua capacidade de eliciar respostas emocionais e o chamado paradoxo da aprendizagem por reforcamento negativo. Conforme apresentado o reforcamento negativo aumenta a probabilidade do comportamento que o elimina ou adia. Entretanto a apresentacao do estimulo aversivo pode eliciar respostas reflexas que dificultam a emissao do comportamento operante que retiraria ou adiaria esse estimulo. Em outras palavras o unico comportamento que retiraria ou adiaria o estimulo aversivo torna-se menos provavel devido as respostas reflexas eliciadas por ele o que certamente representa um paradoxo. Tomemos como exemplo uma crianca que apresenta gagueira. Caso ela fale corretamente seu pai nao faz comentarios. Porem quando ela gagueja ouve a critica do cuidador. Podemos dizer que falar corretamente e mantido por reforcamento negativo. Quando o pai critica a crianca ao gaguejar essas criticas podem eliciar respostas reflexas por exemplo tremores que tornam menos provavel a emissao do comportamento operante de falar corretamente. Nesse caso gaguejar torna-se mais provavel do que falar corretamente. Supressao de outros comportamentos alem do comportamento punido. O efeito da punicao nao se restringe ao comportamento que produziu a consequencia punitiva. Outros comportamentos que estiverem ocorrendo temporalmente proximos ao momento da apresentacao do estimulo punitivo ou que tenham semelhanca com o comportamento punido podem ter a sua frequencia reduzida. Por exemplo imagine uma festa de criancas em que Joaozinho esta correndo pulando conversando e dancando. Em sua empolgacao ele estoura um balao proximo a um adulto que se assusta. O adulto imediatamente lhe da uma forte palmada. E provavel que Joaozinho pare de estourar baloes mas alem disso os demais comportamentos que ele apresentava tambem poderao ter a sua frequencia reduzida. Nesse sentido o efeito da punicao interferira nos comportamentos aos quais ela nao foi contingente. Mesmo que o correr o brincar e o dancar nao tenham produzido a apresentacao do estimulo punitivo por ocorrerem temporalmente proximos a ela tambem poderao ter a sua frequencia reduzida. Dizemos nesse caso que a relacao entre esses comportamentos e a apresentacao do estimulo punitivo foi de contiguidade e nao de contingencia. Alem disso Joaozinho tambem pode vir a diminuirseu comportamento de estourar bombinhas por exemplo dada a semelhanca dessa relacao com o estourar baloes e receber uma palmada. A supressao de outros comportamentos alem do comportamento punido pode ser particularmente prejudicial ao processo psicoterapico. Por exemplo um cliente cooperou com o trabalho do terapeuta ao permitir que este investigasse diversos temas ao longo da sessao respondendo as suas perguntas acerca de qualquer assunto. Em um momento da terapia esse cliente relata que bateu novamente em seu filho adolescente comportamento que ja havia se comprometido a deixar de emitir. Ao ouvir esse relato caso o terapeuta critique deliberadamente dizendo que essa e uma atitude insensata e que acarretara graves consequencias na relacao pai e filho a critica pode ter tres efeitos sobre os demais comportamentos do cliente durante a sessao. O primeiro poderia ser uma diminuicao na frequencia do comportamento de bater no filho. O segundo seria o cliente nao mais contar para o terapeuta quando tiver batido no filho. O terceiro que nao e excludente aos demais seria uma diminuicao na frequencia dos outros comportamentos que estavam ocorrendo temporalmente proximos ao momento no qual a critica foi feita. Por exemplo ele pode deixar de responder as perguntas do terapeuta acerca dos topicos mais relevantes para o tratamento. Por essas razoes e algumas outras que serao discutidas ao longo do livro nao e recomendado o uso de controle aversivo como forma de intervencao em terapia e em outros contextos de aplicacao da psicologia como na escola por exemplo. Ocorrencia de respostas incompativeis com o comportamento punido. Apos a punicao de um comportamento e possivel que os organismos em geral passem a emitir uma segunda resposta que torne improvavel a repeticao do comportamento punido. Essa segunda resposta e chamada de resposta incompativel com o comportamento uma vez que e uma forma de o organismo evitar novas punicoes. A resposta incompativel e negativamente reforcada por diminuir a probabilidade de emissao de um comportamento punido e por conseguinte de o organismo entrar em contato com a punicao. Um exemplo desse efeito colateral do controle aversivo pode ser o caso do rapaz que as 3h da manha depois de ingerir muita cerveja telefona para a ex-namorada fazendo juras de amor. Para infelicidade do jovem quem atende o telefonema com voz de sono e o novo namorado da garota. Provavelmente isso tem a funcao de uma punicao positiva a qual diminuira a probabilidade de o rapaz telefonar outras vezes em situacoes similares. Entretanto ao beber novamente de madrugada ele pode sentir-se tentado a fazer o telefonema. O ex-namorado pode entao entregar o celular a um amigo que o devolvera so no dia seguinte evitando fazer a ligacao para ex-namorada. Entregar o celular ao amigo e um exemplo de resposta incompativel ao comportamento de telefonar uma vez que o torna menos provavel. Outro exemplo e o da jovem que investiu muito em um namoro em seu passado. Ou seja ela fez planos futuros fez varios programas com o namorado sem necessariamente estar com vontade de faze-los conheceu os pais dele o ajudou a comprar um carro etc. chamamos esses exemplos de comportamentos como constituintes da classe de respostas de investir em um relacionamento. Mesmo diante de todo esse investimento seu namorado a trocou por outra pessoa. Essa jovem sofreu muito com o termino. Comportamentos de investir em um relacionamento no caso dela tiveram a sua frequencia diminuida. Dai deduzimos que o termino teve a funcao de estimulo punitivo para a classe de respostas de investir em um relacionamento. Nesse caso essa jovem poderia vir a desenvolver o seguinte padrao comportamental quando comecasse a se envolver com alguem e percebesse que estava comecando a gostar dessa pessoa ela romperia o relacionamento antes de se estabelecer o namoro. A resposta de romper relacionamentos ainda no inicio pode ser considerada incompativel com a classe de respostas de investir em um relacionamento a qual foi punida no passado. O exemplo ilustra uma desvantagem da ocorrencia de respostas incompativeis com o comportamento elas dificultam que o organismo se exponha novamente a contingencia a qual pode ter mudado ao longo do tempo. No caso da jovem do exemplo citado ela pode ter perdido muitas oportunidades de ser feliz com alguem que nao a abandonaria. Expressando essa situacao de modo coloquial isto e sem utilizar a linguagem tecnica poderiamos dizer que ao terminar uma relacao antes de comeca-la ela nao tem meios de perceber que dessa vez a situacao poderia ser diferente. As respostas incompativeis ao comportamento punido sao na realidade respostas de esquiva uma vez que adiam a apresentacao de um estimulo aversivo que ainda nao esta presente. A relevancia de se descreve-las aqui em separado e o fato de atuarem sobre a probabilidade de ocorrencia de um comportamento do proprio organismo. Essa resposta de esquiva exemplificaria o que foi denominado por Skinner 1953 de resposta de autocontrole isto e respostas do individuo que modificam o ambiente alterando a probabilidade de emissao de outro comportamento desse mesmo individuo. Nas palavras do proprio Skinner O organismo pode tornar a resposta punida menos provavel alterando as variaveis das quais e funcao. Qualquer comportamento que consiga fazer isso sera automaticamente reforcado. Denominamos esses comportamentos de respostas de autocontrole. As consequencias positivas e negativas geram duas respostas relacionadas uma a outra de modo especial uma resposta a controladora afeta variaveis de maneira a mudar a probabilidade da outra a controlada. A resposta controladora pode manipular qualquer das variaveis das quais a resposta controlada e funcao portanto ha muitas formas diferentes de autocontrole. Skinner 1953 pp. 230-231 Respostas de contracontrole As respostas de contracontrole talvez representem a maior limitacao do uso do controle aversivo como forma de se alterar a probabilidade de um dado comportamento de um organismo. As respostas de contracontrole sao aquelas mantidas por evitarem que outro comportamento do organismo seja controlado aversivamente. As respostas de contracontrole sao portanto mantidas por reforcamento negativo. Um exemplo de contracontrole ocorre quando um motorista freia o carro proximo a um radar medidor de velocidade reduzindo a velocidade do automovel para a permitida para aquela via. Ao faze-lo o motorista evita que o departamento de transito puna o seu comportamento de dirigir acima do limite de velocidade. Na realidade a funcao punitiva da multa seria a de suprimir o comportamento dos motoristas de excederem a velocidade permitida. A resposta de frear na presenca apenas do radar e negativamente reforcada ou seja evita a aplicacao da multa e permite que o motorista trafegue acima da velocidade da via. A resposta de frear portanto e uma resposta de esquiva que exemplifica uma resposta de contracontrole. Esta e chamada decontracontrole justamente por impossibilitar que o agente punidor exerca controle sobre o comportamento que seria punido caso a resposta de contracontrole nao ocorresse. O procedimento baseado em punicao positiva empregado por um professor de educacao fisica para reduzir a frequencia de conversas paralelas durante a sua aula pode gerar respostas de contracontrole por exemplo. Quando os alunos fazem os exercicios determinados pelo professor em silencio este nao tece nenhum comentario. Entretanto se ele ve algum aluno conversando da-lhe uma bronca em frente aos colegas. Uma possibilidade de resposta de contracontrole e fazer os exercicios silenciosamente apenas no momento em que o professor esta por perto e voltar a conversar quando ele se afasta. Ao fazer isso os alunos conseguem conversar na aula e ainda assim evitam a repreensao. Os dois exemplos citados envolvem contingencias de punicao positiva ou seja os comportamentos de dirigir acima da velocidade da via e de conversar na aula sao punidos positivamente pela multa e pela repreensao respectivamente. O exemplo a seguir ilustra a emissao de uma resposta de contracontrole decorrente de uma contingencia de reforcamento negativo. Todo dia as 19h a mae de Pedro comeca a manda-lo tomar banho. O garoto geralmente entretido jogando em seu tablet demora a atender ao pedido da mae. Esta por sua vez continua a manda-lo tomar banho de modo cada vez mais vigoroso ate que ele o faca. Pedro pode entrar no banheiro ligar o chuveiro e continuar jogando em seu tablet sem entrar de baixo dagua e com isso fazer sua mae parar de manda-lo tomar banho. Essa situacao tao comum entre criancas e adolescentes virou ate um verso da musica No mundo da lua do Biquini Cavadao Nao quero mais ouvir a minha mae reclamar quando eu entrar no banheiro ligar o chuveiro e nao me molhar. Diferentemente dos exemplos de dirigir acima da velocidade da via e de conversar na aula de educacao fisica no exemplo do banho temos uma contingencia de reforcamento negativo conforme ilustrado na Figura 4.6. Figura 4.6 Exemplos de respostas de contracontrole decorrentes de contingencias de punicao positiva e de reforcamento negativo. O comportamento de mentir muitas vezes tem funcao de esquiva e neste caso pode ser considerado um exemplo de contracontrole. No famoso desenho animado Os Simpsons da Fox podemos constatar um exemplo dessa relacao. Um dos personagens Bart Simpson e um garoto de 9 anos que nao e um aluno muito estudioso. Em um dos episodios Bart diz para a Srta. Krabappel sua professora que o Ajudante de Papai Noel seu cachorro havia comido o seu dever de casa. Caso ele chegasse a escola sem o dever feito sua professora apresentaria algum estimulo aversivo como uma bronca ou uma advertencia. No entanto Bart inventa a historia de que seu cachorro comeu o dever de casa esquivando-se da bronca ou da advertencia. Respostas de contracontrole nao se restringem a animais humanos. Um experimento de Azrin e Holtz 1966 ilustra essa questao. Trata-se de um experimento simples em que o comportamento de pressao a barra previamente modelado de um rato era mantido por comida. As mesmas respostas de pressao a barra passaram a ser seguidas de um choque eletrico pela grade metalica no piso da caixa. Essas respostas portanto eram seguidas da apresentacao de comida e de choques eletricos. O ratou passou a deitar de costas na grade do piso da caixa enquanto pressionava a barra. O seu pelo funcionou como um isolante eletrico de modo que o choque deixou de exercer controle sobre seu comportamento de pressao a barra que se manteve na mesma frequencia observada antes da introducao do choque em decorrencia da resposta de contracontrole de deitar no piso da caixa. E importante lembrarmos que contracontrole e esquiva ou fuga nao sao dois fenomenos diferentes. Note que nos exemplos que demos de contracontrole sempre nos referimos tambem a comportamentos de esquiva ou fuga. As funcoes comportamentais bem estabelecidas na literatura sao as de fuga e esquiva. O termo contracontrole e utilizado na descricao dessas relacoes de controle mais no sentido de tecnica sobre como evitar o controle de um agente punidor do que no de uma funcao comportamental propriamente dita. Por que punimos tantoAo observarmos todos esses efeitos colaterais indesejaveis do controle aversivo uma questao permanece por que esse e um metodo tao utilizado para controlar o comportamento em nossa cultura A resposta a essa pergunta compreende pelo menos tres pontos Imediaticidade da consequencia. Quem aplica a punicao como procedimento de controle tem o seu comportamento de punir negativamente reforcado de forma quase sempre imediata. Digamos que Homer outro personagem do desenho animado Os Simpsons esteja assistindo a um jogo de futebol americano na TV enquanto Lisa a sua filha de 8 anos pratica seu saxofone. O som do instrumento o incomoda isto e representa um estimulo aversivo e cessa-lo reforcara negativamente seu comportamento. Homer prontamente pune o comportamento de Lisa gritando Lisa pare de tocar esse maldito saxofone. A garota interrompe o seu treino de imediato reforcando de modo negativo o comportamento do pai. Eficacia independente da privacao. Para modificar a probabilidade de um comportamento com o uso de reforcamento positivo temos que identificar quais eventos serao reforcadores para diferentes comportamentos do individuo. Alem disso mesmo os reforcadores primarios nao sao eficazes independentemente de outros fatores ambientais. Caso o organismo nao esteja privado do estimulo reforcador em questao este nao sera eficaz. Desse modo a manipulacao de reforcadores positivos como forma de intervencao dependera do manejo direto de seu valor reforcador o que pode ser muito custoso demorado ou mesmo inacessivel para quem lida com tais contingencias. Esse fato tambem nos ajuda a entender o que torna o comportamento de punir tao provavel. Por exemplo uma palmada sera aversiva independentemente de privacao ou seja sera eficaz para punir ou para reforcar de modo negativo o comportamento de uma crianca provavelmente em qualquer situacao. E provavel que pais tentem interferir de diferentes modos no ambiente de seus filhos para que facam o dever de casa por exemplo. Eles podem reforcar positivamente o comportamento de fazer a licao disponibilizando doces contingentemente a sua ocorrencia. Entretanto se a crianca nao estiver privada de doces estes nao serao eficazes como estimulos reforcadores ou seja nao aumentarao a probabilidade do comportamento de fazer o dever. Porem se os pais derem-lhe uma palmada caso nao faca o dever de casa e provavel que ela venha a faze-lo evitando as palmadas. Note que para a palmada reforcar negativamente o comportamento de fazer o dever de casa nao foi necessario privar a crianca de nenhum estimulo. Facilidade no arranjo das contingencias. Existem procedimentos alternativos ao controle aversivo como discutiremos a seguir. Esses procedimentos sao mais aconselhaveis do que o controle aversivo devido aos efeitos colaterais deste ultimo. Entretanto sua aplicacao e mais trabalhosa do que a dos procedimentos baseados em controle aversivo. No caso do exemplo do Homer e da Lisa Homer poderia sentar-se perto da filha para ouvi-la quando tocasse o saxofone em outro horario que nao o do jogo elogia-la nessas ocasioes ou sair com ela para tomar um sorvete quando acabasse o ensaio. Esses procedimentos provavelmente fariam a pequena Lisa parar de tocar o instrumento na hora do jogo e evitariam os efeitos colaterais da punicao. No entanto Homer teria mais trabalho para diminuir a frequencia do comportamento de Lisa de tocar o saxofone na hora jogo dessa forma ele teria que 1 ouvir o som do instrumento o que pode ser aversivo para ele 2 leva-la para tomar sorvete considerando a sua privacao de sorvete e 3 estar presente nos momentos em que Lisa estivesse tocando. Em comparacao ao comportamento de dar um berro o controle do comportamento por reforcamento positivo envolve a emissao de mais respostas que em geral sao mais custosas e levarao mais tempo para produzir seus efeitos. A consequencia final desse processo e que tendemos mais a punir ou a reforcar negativamente o comportamento do que controla-lo por reforcamento positivo a despeito de todas as desvantagens do controle aversivo. Porem a divulgacao e a comprovacao empirica dos efeitos indesejaveis desse tipo de controle podem sensibilizar pais e educadores para que utilizem procedimentos baseados em reforcamento positivo a fim de controlar o comportamento de seus filhos e alunos por exemplo. Quais as alternativas ao controle aversivo Ao desaconselharmos o uso do controle aversivo temos que sugerir alguns procedimentos alternativos. Felizmente eles existem. A seguir apresentaremos alguns deles. Reforcamento positivo em substituicao ao reforcamento negativo. Caso queiramos aumentar a probabilidade de emissao de um comportamento podemos faze-lo por reforcamento positivo ao inves de negativo. Um professor de boxe pode elogiar os golpes corretos de seus alunos em vez de criticar os incorretos por exemplo. Uma garota pode ser mais carinhosa com seu namorado quando ele consegue combinar o sapato com o cinto em vez de ficar emburrada toda vez que ele usa pochete na cintura. Extincao em substituicao a punicao. Um procedimento alternativo comum e o uso da extincao para diminuir a frequencia do comportamento em vez de punicao. Esse procedimento e menos aversivo que a punicao o que nao quer dizer que deixe de eliciar certas respostas emocionais. O experimento de Azrin Hutchinson e Hake 1966 com pombos ilustra esse ponto. A Figura 4.7 mostra uma tipica caixa de condicionamento operante para esses animais. Um pombo cujo comportamento de bicar um disco de respostas e reforcado pela apresentacao de alimento foi subsequentemente submetido ao procedimento de extincao ou seja as respostas de bicar o disco deixaram de serem seguidas por alimento. Alem disso a caixa de condicionamento operante desse estudo era modificada. Dentro dela havia um compartimento que continha outro pombo o qual tinha os seus movimentos restringidos por um aparato. O animal cujo comportamento de bicar estava em extincao passou a atacar o pombo que estava preso no compartimento. Azrin e colaboradores interpretaram os resultados de seu estudo afirmando que a transicao da contingencia de reforcamento para a extincao foi um evento aversivo que produziu as respostas agressivas no animal. Um exemplo cotidiano dos efeitos emocionais decorrentes do procedimento de extincao ocorre quando uma crianca joga seu carrinho de bombeiros na parede quando ele deixa de funcionar.Figura 4.7 Caixa de condicionamento operante para pombos. Pombos sao muito utilizados em pesquisas em Analise do Comportamento. Nos tres discos em frente ao passaro cores e figuras sao projetadas. Bicar um disco especifico aciona o comedouro dando sementes ao animal privado de comida. Outra desvantagem do procedimento de extincao e que nem sempre podemos suprimir o reforcador que mantem o comportamento indesejado. A maconha por exemplo nao deixara de produzir seus efeitos quimicos quando inalada. Caso sejam tais efeitos os responsaveis pela manutencao do comportamento de consumi-la nao poderemos utilizar extincao ja que nao podemos retirar o estimulo reforcador. Por fim a extincao apenas diminui a frequencia do comportamento em vez de estabelecer e manter outros comportamentos diferentes daqueles cuja frequencia se quer diminuir. A ausencia de reforcamento tambem pode agravar um quadro depressivo por exemplo. Entre outras alteracoes comportamentais um quadro depressivo pode envolver alta incidencia de relatos queixosos isto e narrativas acerca dos problemas que a pessoa com esse diagnostico enfrenta geralmente sem sucesso. Fora isso normalmente o ambiente da pessoa deprimida pode ser caracterizado por uma escassez de reforcadores. A pessoa cujos padroes comportamentais sao caracteristicos de um quadro depressivo frequentemente nao obtem sucesso nos seus empreendimentos em diferentes aspectos de sua vida como no trabalho nas relacoes conjugais e familiares. Ou seja seus comportamentos raramente sao reforcados. Desse modo ao receber um cliente cujos padroes comportamentais sao caracteristicos de um quadro depressivo o terapeuta pode aplicar o procedimento de extincao para diminuir a frequencia dos relatos queixosos. Assim quando o individuo comecar a se queixar dos filhos da esposa dos amigos etc. o profissional pode colocar esse comportamento em extincao deixando de dar atencao a esse tipo de relato. O cliente pode parar de falar sobre isso entretanto nao estara aprendendo novas formas de obter a atencao das pessoas. Outra consequencia possivel seria o abandono do tratamento uma vez que o comportamento de frequentar a terapia nao esta sendo reforcado de tal modo que o tratamento se constituiria em mais um ambiente no qual os reforcadores sao escassos. A despeito de a extincao como um procedimento destinado a diminuir a frequencia de um dado comportamento apresentar limitacoes ou mesmo partilhar de alguns efeitos colaterais com o procedimento de punicao uma questao fundamental a torna preferivel a punicao. Nas situacoes do dia a dia os comportamentos suprimidos por procedimentos punitivos continuam a produzir os reforcadores que os mantinham. Se um pai bate no filho mais velho por ter tomado o controle remoto da televisao da mao do irmao mais novo e sintonizado a televisao no canal que quer assistir e provavel que o comportamento de tomar o controle do cacula diminua de frequencia por exemplo. A despeito disso ao faze-lo o filho mais velho ainda tera acesso ao canal que quer assistir. Em outras palavras os reforcadores que mantem o comportamento de tomar o controle remoto continuam disponiveis mesmo que o pai o puna positivamente. E provavel que na ausencia do pai isto e na ausencia do estimulo que sinaliza a punicao esse comportamento volte a ocorrer. Em decorrencia disso a punicao somente tem efeito enquanto esta em vigor ao passo que a extincao tem efeitos duradouros uma vez que os reforcadores que mantinham um comportamento com certa frequencia deixam de estar disponiveis. Em resumo a extincao e preferivel a punicao como forma de diminuir a frequencia de um comportamento considerado socialmente indesejavel pela durabilidade de seus efeitos. Porem a extincao como unica alternativa ao uso da punicao tambem tem as suas limitacoes o que a torna menos eficaz que outras opcoes como e o caso do reforcamento diferencial que sera descrito a seguir. Reforcamento diferencial. Mais uma vez iremos nos referir ao reforcamento diferencial. Sem duvida esse e um procedimento de fundamental importancia para explicacao predicao e controle do comportamento. Vamos comecar relembrando o que vimos no Capitulo 3 o reforcamento diferencial envolve sempre reforcamento e extincao. Como alternativa a punicao poderiamos extinguir a resposta socialmente indesejada e reforcar comportamentos alternativos. Nesse caso as respostas emocionais produzidas peloprocedimento de extincao teriam sua forca diminuida uma vez que o organismo continuaria a entrar em contato com os reforcadores contingentes a outros comportamentos. Alem disso o reforcamento diferencial poderia resultar no aumento da probabilidade de emissao de comportamentos socialmente desejaveis. No exemplo do cliente cujos comportamentos sao caracteristicos de um quadro depressivo descrito anteriormente o terapeuta poderia colocar em extincao os relatos queixosos e ao mesmo tempo reforcar relatos acerca de outros temas que nao os problemas de relacionamento do individuo. Assim o cliente aprenderia a emitir outros comportamentos socialmente mais desejaveis mantidos pelos mesmos reforcadores outrora produzidos pelos relatos queixosos. Aumento da frequencia de reforcamento para respostas alternativas. O reforcamento diferencial tambem envolve o procedimento de extincao e em decorrencia disso padece em menor medida dos mesmos efeitos colaterais indesejaveis da extincao. Uma alternativa ao uso de reforcamento diferencial seria portanto aumentar a frequencia de reforcamento para os comportamentos socialmente desejaveis em vez de extinguir os indesejaveis. Nesse procedimento os reforcadores aos comportamentos alternativos seriam mais frequentes que aqueles apresentados ao comportamento que se objetiva enfraquecer. Essa disparidade entre as frequencias de reforcamento resultaria em um enfraquecimento do com-portamento cuja frequencia deva ser diminuida bem como em aumento na frequencia dos comportamentos alternativos. No caso do exemplo do cliente deprimido o procedimento seria continuar dando atencao em alguma medida aos seus relatos queixosos e ao mesmo tempo aumentar a frequencia de reforcamento para outros tipos de relato verbal. Dessa forma o individuo aprenderia novos comportamentos socialmente mais desejaveis e que obteriam a atencao das outras pessoas. Com isso e provavel que a frequencia dos comportamentos queixosos diminua sem que necessariamente sejam colocados em extincao. Esse procedimento tambem e util para intervir em comportamentos que nao podem ser colocados em extincao pela impossibilidade de se eliminar a apresentacao da consequencia reforcadora. Por exemplo o comportamento de fumar maconha produz reforcadores advindos do efeito quimico de seu consumo. Uma vez que nao podemos retirar os reforcadores dos efeitos da droga poderiamos reforcar com maior frequencia outros comportamentos nao relacionados ao seu consumo. Dessa forma e provavel que o consumo da substancia diminua a medida que a frequencia de outros comportamentos e aumentada por questao de disponibilidade de tempo por exemplo. Essa intervencao provavelmente e mais lenta que as demais. Em contrapartida e a menos aversiva para o organismo que emite o comportamento trazendo menos efeitos colaterais indesejados. Alem disso propicia condicoes para que o repertorio comportamental do organismo seja ampliado. Algumas conclusoes importantes Com base no que vimos neste capitulo fica claro para analistas do comportamento que o controle aversivo como procedimento destinado a alterar a probabilidade de emissao de um comportamento deve ser aplicado apenas em ultimo caso o que nao significa que devamos parar de estudar esse tipo de controle tao frequente em nosso dia a dia. Alem disso o controle aversivo nao e somente social. Caso coloquemos o dedo na tomada o choque e uma punicao positiva que provavelmente diminuira a probabilidade de recorrencia desse comportamento no futuro. Assim por mais que o evitemos o controle aversivo e parte constituinte da nossa vida cotidiana e continuara existindo em nossa interacao com o mundo inanimado e com os demais organismos. Por fim nao podemos confundir a recomendacao de evitar o controle aversivo com a nocao de que tudo e permitido. Por exemplo muitos pais nas decadas de 1970 1980 e 1990 confundiram o conselho de nao punir com o de deixe seu filho fazer tudo o que quiser. Sem duvida uma educacao sem limites e quase tao prejudicial quanto uma educacao fortemente baseada em procedimentos aversivos. Alguns comportamentos precisam ter sua a frequencia reduzida entretanto se tivermos alternativas a punicao estas devem sempre ser as escolhidas. Principais conceitos apresentados neste capitulo Conceito Descricao Exemplo Controle aversivo Controle do comportamento por contingencias de reforcamento negativo e punicao positiva e negativa. Reforcamento negativo Aumento da frequencia de um comportamento que tem como consequencia o adiamento da apresentacao ou a retirada de um estimulo do ambiente. O comportamento de mentir sobre ter feito o dever de casa pode ser fortalecido quando evita a apresentacao de uma bronca. Estimulo aversivo Estimulo que aumenta a frequencia do comportamento que o retirou ou cuja adicao reduz a frequencia do comportamento que o produziu. Uma multa de transito pode ser um estimulo aversivo ao aumentar a probabilidade de frear o carro perto de um radar registrador de velocidade bem como na medida em que pode diminuir a probabilidade do comportamento de dirigir acima da velocidade. Comportamento de fuga Comportamento mantido por reforcamento negativo que ocorre quando o estimulo aversivo ja esta presente no ambiente. A consequencia reforcadora e a retirada do estimulo aversivo do ambiente. Um cliente esta em uma sessao de terapia e o psicologo faz perguntas que eliciam fortes respostas de ansiedade. O cliente foge ao ir embora da sessao produzindo a retirada das perguntas ansiogenicas. Comportamento Comportamento mantido por reforcamento O cliente do exemplo anterior pode relatar eventos ao longo dade esquiva negativo que ocorre antes da apresentacao do estimulo aversivo. A emissao da resposta evita a apresentacao do estimulo aversivo. sua semana de forma detalhada e assim nao dar espaco para que o terapeuta faca as perguntas ansiogenicas. Nesse caso o comportamento de relatar sera uma resposta de esquiva. Punicao positiva Consequencia do comportamento que reduz sua frequencia pela adicao de um estimulo aversivo ao ambiente. Um adolescente volta para casa embriagado toma uma bela surra de seu pai por ter bebido e nao mais chega embriagado. Punicao negativa Consequencia do comportamento que reduz sua frequencia pela retirada de um estimulo reforcador de outros comportamentos do ambiente. O adolescente do exemplo anterior volta para casa embriagado perde a mesada por ter bebido e deixa de chegar embriagado. Respostas incompativeis Comportamento que reduz a probabilidade de emissao de um comportamento que foi punido no passado. O adolescente que apanhou do pai por chegar embriagado pode deixar o dinheiro e o cartao de credito em casa de modo que nao tenha como comprar e ingerir bebidas alcoolicas quando sair com os amigos. Contracontrole Comportamento que evita o controle aversivo administrado por um agente controlador. O adolescente do exemplo anterior quando fica embriagado inventa uma desculpa e dorme na casa dos amigos. Desse modo evita a surra do pai.
Anotacoes
Aprendizagem pelas consequĂȘncias: o controle aversivo Objetivos do capĂtulo Ao final deste capĂtulo, espera-se que o leitor seja capaz de: 1 Definir, identificar e prover exemplos de contingĂȘncias de reforçamento negativo, contingĂȘncias de punição positiva e contingĂȘncias de punição negativa; 2 Definir, identificar e prover exemplos de controle aversivo do comportamento; 3 Definir, identificar e prover exemplos de comportamentos de fuga, comportamentos de esquiva e contracontrole; 4 Descrever e exemplificar os principais efeitos comportamentais do uso do controle aversivo do comportamento; 5 Descrever e exemplificar as principais diferenças entre o uso dos procedimentos de punição, extinção e reforçamento diferencial. Como jĂĄ sabemos, o comportamento operante Ă© aquele que produz modificaçÔes no ambiente e Ă© afetado por elas. Chamamos tais modificaçÔes no ambiente de consequĂȘncias do comportamento. JĂĄ vimos um tipo dessas consequĂȘncias, as chamadas consequĂȘncias reforçadoras. Os exemplos apresentados atĂ© entĂŁo ilustram um subtipo de consequĂȘncias reforçadoras, denominadas consequĂȘncias reforçadoras positivas, cujo processo comportamental, assim como o procedimento do qual elas fazem...
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